Portal de Homeopatia

 

 

  De que medicina necessitamos?

 

           

Certamente que a grande maioria dos cidadãos do mundo não leram, nem lerão, o Editorial da revista científica The Lancet, Vol 366 August 27, 2005; uma vez que esta consagrada revista científica é principalmente dirigida ao público médico e aos pesquisadores interessados na área da saúde. Ainda mais quando se trata de mais manifesto, pouco original, que declara a homeopatia com não sendo científica. No entanto, não podemos deixar de fazer algumas reflexões sobre o perigo que enseja.
 

Antes esclarecemos que este permanente questionamento acerca da cientificidade da homeopatia e dos efeitos que produz na saúde decorre de diferenças que existem nas concepções de doença de cada medicina. Qualquer parâmetro de medida só faz sentido quando utilizado corretamente. O termômetro é um excelente instrumento para medir temperatura, mas absolutamente ineficaz para medir distâncias. Este último fato, constatável e consensual a todos, não o desqualifica como um instrumento útil.
 

Assim, a maneira diversa como a homeopatia observa a saúde, razão de sua abordagem individualizada, voltada para as expressões da vitalidade e do sofrimento humano, implica obrigatoriamente em parâmetros de observação e avaliação que são particulares e, como não pode deixar de ser, não estão contemplados nos protocolos científicos da medicina tecnológica. Este fato não significa ausência de uma metodologia de investigação e procedimentos precisos de intervenção, os quais são avaliados por parâmetros justos, todos relacionados a uma concepção de saúde que lhe é própria e que a distingue de outras medicinas. O mesmo se dá com todas as Medicinas Tradicionais, cada uma tem sua lógica própria e constituem uma racionalidade médica complexa, com seus próprios conceitos e parâmetros para orientar e avaliar a efetividade de seus procedimentos.
 

O Editor do The Lancet é textual quando se refere a sua preocupação quanto ao pouco caso que o público tem dado as reiteradas pesquisas científicas que indicam como evidentes a falta de atividade dos remédios homeopáticos e o caráter inócuo de seus resultados clínicos. Atribui este fato a uma conduta liberal da classe médica, que preocupada em ser politicamente correta não condena, de modo veemente, a homeopatia como um engodo, declarando-a, sem rodeios, como uma prática médica que ludibria a população.
 

Assim, louva uma pesquisa realizada por encomenda do governo suíço, em que foi feita uma análise comparativa entre resultados de pesquisas homeopáticas e alopáticas publicadas, a partir de 1995, em revistas científicas indexadas. Os resultados indicam um maior número de desvios metodológicos nas pesquisas homeopáticas, em relação às alopáticas e concluem, conseqüentemente, que os resultados da homeopatia não têm poder de validação para serem considerados diferentes daqueles que são produzidos por medicamento placebo. 
 

O editorial intitulado “O fim da Homeopatia” apóia textualmente a resolução do Comitê Parlamentar de Ciência e Tecnologia do Reino Unido e a deliberação do governo da Suíça, cortando os recursos destinados ao financiamento, pagamento dos atendimentos e investimento em pesquisa, de todas aquelas “práticas alternativas” que não são capazes de demonstrar uma eficiência diferente da que é alcançada pelo placebo.

 

Vemos assim, um editor de revista médica científica, assumindo declaradamente uma posição de polícia do pensamento, de guardião da verdade, de defensor daquilo que é melhor para a população escolher. Não se trata aqui de uma questão de ciência, mas da autorização a que se permite este editor, de determinar por meio de critérios duvidosos, o poder de afirmar que população erra quando escolhe aquilo que não se enquadra nos cânones científicos que defende.

 

Fossem as resoluções parlamentares, de qualquer nação do mundo, isentas ou imunes a equívocos, ainda assim haveria a necessidade de se perguntar à população usuária a razão de insistirem em buscar um “engodo” para cuidar de sua saúde, quando o estado lhes provê tantas coisas boas e acertadas.

 

Não podemos deixar de considerar que o Reino Unido e a Suíça estão entre os maiores centros de concentração de indústrias e de patentes na área produção de medicamentos, insumos e equipamentos de saúde, razão mais que suficiente para supor que as resoluções do parlamento inglês e do governo suíço não estejam descoladas de seus interesses econômicos e comerciais.

 

O que pensar do papel que desempenha uma publicação científica quando seu próprio editor levanta esta bandeira? 

 

Para compreender melhor este contexto precisamos considerar que há duas décadas a Organização Mundial de Saúde trabalha para que os estados nacionais incluam as Medicinas Tradicionais nas políticas públicas de promoção da saúde. A defesa deste ponto de vista se apóia no consenso de que a gravidade da falta de recursos no planeta é fundamentalmente decorrência da sua má distribuição. No campo da saúde pública a adoção exclusiva ou dominante de uma medicina tecnológica de altos custos tem se implicado com a exclusão, de qualquer assistência, de grandes segmentos populacionais.

 

Incluir as Medicinas Tradicionais, também conhecidas como Medicinas Alternativas ou, dentro da nomenclatura adotada em nosso país, Medicinas Naturais, é investir para que a diversidade das práticas de saúde, mormente aquelas que são autóctones e que não dependem de importação de insumos e tecnologia de alto custo, possam contribuir para otimizar os recursos, que sempre serão limitados, para ampliar a assistência.

 

Estima-se que o investimento total em Medicinas Naturais, anual em todo o mundo ocidental, nas áreas da pesquisa, formação de recursos humanos e promoção, não ultrapassa algumas centenas de milhares de dólares por ano. No entanto neste mesmo período, em Medicina Tecnológica, são investidos muitos bilhões de dólares, para os mesmos fins. Portanto, compete aos gestores públicos e aos cidadãos que almejam por justiça social, se posicionarem a favor de medidas que estabeleçam como prioritário o investimento nas Medicinas Naturais, para que estas possam alcançar o nível de desenvolvimento necessário para suprir, juntamente com as demais formas de medicinas e práticas de saúde, as necessidade dos países e do mundo.

 

Será ainda possível conceber como uma conduta a favor da humanidade comportamentos que contrariam a liberdade de escolha das populações, principalmente quando está evidente para todo o mundo que uma das causas da violência contemporânea é justa revolta contra a progressiva ampliação do fosso social e da exclusão de direitos básicos que separam populações de uma mesma nação e de nações no mundo. 

 

            Hylton Sarcinelli Luz

Presidente da ONG Homeopatia Ação Pelo Semelhante

 


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