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-O PREPARO DE MEDICAMENTOS HOMEOPÁTICOS NA FORMA LÍQUIDA -
GOTAS DE A a Z

 

autores :
1) Maria Cristina Ferreira Silva
2) Murilo de Souza Mauro
3) Rafaela Luna
4) Amarilys  de Toledo César

1/2/3 - farmacêuticos, membros da comissão Científica da ABFH
1/2 - sócios-proprietários da Homeopatia Quintêssencia desde 1986.
2 - ex-presidente da ABFH ( 1999-2000)
3 - gerente da Nova Era Homeopatia desde 1988.
4 - sócia-proprietária da HN Cristiano e Laboratório Equilíbrio desde 1984.
     Participou de diversas diretorias da  ABFH. Sanitarista , mestre  e doutora em Saúde Pública pela USP.

 

1. INTRODUÇÃO

    Os medicamentos homeopáticos caracterizam-se por ser dinamizados, isto é, a partir de uma
substância de origem, esta é diluída e sucussionada diversas vezes, de uma maneira seriada.
Para iniciar este processo, no caso de substâncias de origem vegetal ou animal, pode-se preparar
tinturas alcoólicas, chamadas de tinturas-mãe.

Quando a substância de origem é um mineral insolúvel, lança-se mão de uma fase inicial de trituração.
Processos mecânicos podem auxiliar a obtenção de medicamentos onde se deseja que a dinamização
ocorra um número muito grande de vezes. Desta maneira, através de diferentes escalas e métodos de dinamização, que possuem em comum fases de diluição e de sucussão, são obtidas as "matrizes"
dinamizadas, que são então estocadas nas farmácias que aviam medicamentos homeopáticos.

O aviamento tem como objetivo veicular a matriz de determinada substância, dinamizada através de determinada escala e método, até uma certa potência, para um paciente, de acordo com uma
prescrição clínica. Esta veiculação ocorre na forma sólida ou líquida, possibilitando também a
quantificação ou a determinação da dose do medicamento.

É difícil afirmar qual a forma farmacêutica tem maior uso e aceitação na terapêutica homeopática.
Hahnemann parece ter escolhido preferencialmente a via líquida para a administração ao paciente,
porém estocava os medicamentos na forma de glóbulos. Farmacopéias e livros-texto de diversos
autores citam formas sólidas e líquidas. Estojos de medicamentos homeopáticos são quase sempre
apresentados apenas na forma de glóbulos. Há motivos facilmente compreensíveis para preferir glóbulos
(maior aceitação para pacientes infantis), assim como desvantagens desta forma para aqueles que
necessitam de dieta com restrição de sacarose. Soluções alcoólicas são preteridas por aqueles que
não desejam contato com etanol.

    Se a noção de quantidade existe no medicamento homeopático e como ela ocorre, é dúvida da
maior parte dos autores e a resposta não tem sido validada através de pesquisas clínicas científicas.

    Podemos afirmar que as formas farmacêuticas sólidas oferecem uma padronização de seu preparo
mais fácil de ser atingida, ainda que diversas variáveis também existam, especialmente considerando
que os glóbulos são veículo de preparo artesanal, com características que se apresentam de maneira não uniforme a cada lote. Há referencias de uso de 1 a 10% do peso da matriz sobre glóbulos inertes
(1, 2, 3, 4, 5).

    Porém, no preparo de medicamentos na forma líquida, é possível proceder através de duas maneiras
bastante distintas, do ponto de vista farmacotécnico:  veicular a matriz em uma solução aquosa ou alcoólica,
de maneira semelhante como se faz com a forma farmacêutica sólida, ou dispensar a própria matriz
dinamizada para o paciente.

Estas diferenças existem nos diversos países pesquisados e não são facilmente explicadas através da consulta à literatura. Por que elas existem? Talvez porque diferentes preparadores de medicamentos homeopáticos ajam segundo diferentes crenças e entendimento da teoria. Podemos afirmar que, com certeza, os dois métodos apresentam atividade, pois no contrário, após 2 séculos de uso de medicamentos homeopáticos, esta dúvida não mais existiria. Tampouco deverá haver diferenças do ponto de vista de dose de medicamentos, que não estejam sendo facilmente contornadas e controladas por clínicos, já que existem atualmente, em uma mesma cidade, farmácias que preparam seus medicamentos através de um e de outro método, o que geralmente não é de conhecimento dos clínicos e nem dos pacientes. Existiriam diferenças clínicas entre medicamentos homeopáticos líquidos preparados através de diferentes métodos? É importante que estas perguntas sejam respondidas através do uso de modelos científicos claros, precisos e indiscutíveis.

    Em nosso país o fornecimento dos medicamentos homeopáticos tem ocorrido, tradicionalmente, através de farmácias que os manipulam e dispensam para os pacientes, por prescrição de clínicos legalmente habilitados. Devido ao tamanho do país e a aceitação que a homeopatia tem entre nossa população, o mercado é atraente, e já se lê notícias da entrada de laboratórios industriais farmacêuticos homeopáticos multinacionais, que alterariam o modelo de fornecimento dos medicamentos, da manipulação que ocorre hoje nas farmácias, para a simples revenda de produtos industrializados, para os quais drogarias seriam suficientes.

Para sobreviverem às mudanças, é importante que as farmácias homeopáticas apresentem boa organização de suas técnicas, padronização da qualidade dos medicamentos produzidos e união entre si, assim como entre toda a classe homeopática, para que os pacientes que se tratam através da terapêutica homeopática possam usufruir das melhores condições.

    A ABFH vem congregando farmacêuticos de todo o país desde a sua criação, para que, através da troca de experiências e permitindo o conhecimento mútuo das práticas existentes, unificar as técnicas de preparo do medicamento homeopático em âmbito nacional. O processo de discussão gradativamente vem amadurecendo, no entanto o aviamento da forma farmacêutica "gotas", devido a alguns fatores já mencionados, mantém-se como um procedimento de difícil uniformização.

 

2. OBJETIVOS

 

Considerando o exposto anteriormente, são objetivos deste trabalho:

· levantar informações históricas e atuais, provenientes de diversos autores, sobre os medicamentos homeopáticos dispensados sob a forma farmacêutica "gotas" quanto à sua farmacotécnica e farmacologia,

· analisar as diversas informações segundo condutas de prescrição de acordo com as diversas linhas de pensamento dos prescritores

· aumentar a compreensão dos farmacêuticos e dos profissionais envolvidos na prescrição dos medicamentos homeopáticos, especialmente aqueles dispensados na forma farmacêutica líquida

· contribuir para a elaboração de textos oficiais sobre farmacotécnica homeopática

· sugerir caminhos a serem pesquisados nos próximos trabalhos, através de hipóteses que dêem amparo à teoria

· contribuir para o desenvolvimento da farmácia homeopática e da homeopatia.

 

3. METODOLOGIA:

 

Para atingir os objetivos propostos, o estudo se deu através da consulta às diversas farmacopéias e textos básicos de diversos autores, desde as diversas obras em que Hahnemnan citou informações sobre o preparo de medicamentos, passando por autores de importância histórica, até os atuais, possibilitando uma análise ampla do tema.

 

4. DESENVOLVIMENTO:

 

4.1. Estudo farmacotécnico:

 

4.1.1. Manual de Normas Técnicas - 2ª edição(3)

" 10.1.1- Gotas

Veículo: Solução hidroalcooólica de 30% a 70% (v/v).

Volume dispensado: obedecerá à recomendação médica.Caso omissa,será

dispensado o volume padronizado da farmácia.

Observações:

Poderá ser dispensado: * Medicamento 100%

* Medicamento 1%

Na cinquenta milesimal, dissolver um microglóbulo em solução hidroalcoólica de 30% a 70% (v/v).O volume dispensado deve ocupar 2/3 do frasco.

Dose única líquida

Quando não especificada na receita, serão dispensadas 4 gotas do medicamento dinamizado em 2ml de água ou água alcoolizada de 5% a 30% (v/v)."

 

4.1.2 Farmacopéia Homeopática Brasileira - 2ª edição(2)

 

" XII. 1. FORMAS FARMACÊUTICAS DE USO INTERNO

XII. 1.1 - Formas Farmacêuticas Líquidas

1.1.1 - Dose única líquida

Quantidade limitada de medicamento líquido a ser tomada de uma só vez.

· Veículo: solução hidroalcoólica 30% (p/p) para separação do medicamento na dinamização desejada, a qual será diluída em água para ser dispensada.

· Volume: de acordo com o desejado. Quando não especificado,serão dispensadas II gotas do medicamento , na dinamização desejada, em um mL do insumo inerte.

Preparação: dissolução

Técnica: métodos Hahnemanniano,Korsakoviano e Fluxo contínuo

1.1.2 - Preparação Llíquida Administrada sob a forma de Gotas

São preparações hidroalcoólicas a 30% (p/p), contendo medicamento dinamizado a ser administrado sob a forma de gotas.

Veículo: hidroalcoólico a 30% (p/p)

Volume: de acordo com o desejado

Técnica: métodos Hahnemanniano, Korsakoviano e fluxo contínuo.

Dispensação: será dispensado o volume desejado. Na escala LM, dissolver um

microglóbulo do medicamento,na dinamização desejada , em solução

hidroalcoólica a 30% (p/p); o volume dispensado deverá ocupar 2/3 da

capacidade do frasco .

XII.1.3- Formulações Farmacêuticas

1.3.1- Formulações Líquidas:

· Preparação:

· Com um Insumo Ativo:

Exemplos:

Lycopodium clavatum 30CH ........................XX gotas

Água destilada .............................................30 mL

ou

Lycopodium clavatum 30CH .....................XX/30 mL

Lycopodium clavatum 30CH .........................X gotas

Álcool 96% (v/v) ............................................V gotas

Água destilada ..............................................30 mL

ou

Lycopodium clavatum 30CH ..........................X/V/30ml mL

Lycopodium clavatum 30CH ..........................1%

Solução hidroalcoólica a 30%(p/p) ....qsp........30ml

Técnica: Diluição do insumo ativo no volume adequado de insumo inerte.

 

4.1.3. Francesas:

 

Homeopathie - Pharmacotechnie et monographies des medicaments courants(5)

Esta obra foi publicada pelo Syndicat National de la Pharmacie Homéopathique e é informalmente chamada entre nós de Farmacopéia Francesa "do Sindicato" (5). No capítulo referente às formas farmacêuticas (capítulo 3, volume I) encontramos as seguintes citações:

"Todas as formas farmacêuticas podem ser utilizadas para os medicamentos homeopáticos; as mais freqüentes são: GOTAS: as gotas são preparadas, exceto em casos particulares especificados nas monografias, com os seguintes títulos etanólicos:

· 65 ou 45% v/v para as tinturas-mãe;

· 60% v/v para a primeira decimal obtida a partir de uma tintura-mãe, sendo o

veículo utilizado uma mistura de água-álcool;

· 30% v/v para a primeira decimal obtida a partir de um macerado glicerinado,

sendo o veículo utilizado uma mistura de água-álcool-glicerina;

· 30% v/v para as outras diluições, sendo o veículo utilizado uma mistura de água/álcool.

AMPOLAS BEBÍVEIS: são preparadas utilizando geralmente como veículo o

álcool a 15% v/v.

É interessante notar que, antes de "formas farmacêuticas, esta farmacopéia traz o ítem "impregnação", no capítulo 2, "Técnicas de Preparação". Lê-se sobre "impregnação":

"esta técnica consiste em fixar a diluição medicamentosa sobre um suporte neutro: grânulos, glóbulos, comprimidos, pós."

Podemos observar então que, para esta farmacopéia, não se fala em impregnação de suporte líquido.

No volume II, no ítem C, que trata de "formas farmacêuticas", lê -se que:

"As tinturas-mães, diluições e triturações são utilizadas, seja na condição em que se encontram, sejam incorporadas em proporção determinada de excipiente.
As formas farmacêuticas mais comumente empregadas são:

Soluções bebíveis:

Gotas: as soluções bebíveis destinadas a serem administradas através de gotas são

constituídas por uma ou mais tinturas-mães, ou por uma ou mais diluições.

Elas são preparadas utilizando-se geralmente, para a última desconcentração, os veículos seguintes:

- Álcool a 60%v/v: para a primeira decimal obtida a partir de uma tintura-mãe

- Uma mistura de 50 partes de glicerol, 30 partes de álcool e 20 partes de água(p/p): para a primeira decimal obtida a partir de um material glicerinado.

- Alcool a 30%v/v: para outras diluições.

 

Farmacopéia Homeopática Francesa (6)

Publicada pela Societé Française d’Homeopathie, em 1898. Em seu artigo V, que trata sobre "A dispensação e a conservação dos medicamentos" encontramos as seguintes citações:

"Se administram os medicamentos homeopáticos sob a forma de pós, poções ou

de glóbulos.

Pós - Se mistura duas ou três gotas, ou quatro ou cinco glóbulos de um medicamento com 25 ou 30cg de açúcar de leite, e se faz um pequeno pacote que se dispensa ao doente para ser tomado a seco sobre a língua ou diluído em uma colher de água.

Poção - Se administra o medicamento sob a forma de solução em água destilada, preferivelmente, à água comum, pela razão que se conserva mais tempo sem alteração.

Glóbulos - se administra igualmente sobre a língua, sem adição de açúcar de leite".

No ítem "Maneira de formular", encontramos a forma de prescrição de gotas

"Bellad. 6ª diluição 5g", onde se administra ao doente 8 a 10 gotas por dia, em certo número de colheres de água.

A edição atual da Farmacopéia Homoeopática Francesa (4) só contém monografias.

Segundo este volume, podemos ter diluições incorporadas em diferentes excipientes, como álcool a 15% v/v (ampolas bebíveis) ou 30% v/v (gotas), fazendo pensar em uma preparação a 1%. Por outro lado, quando se afirma que as diluições podem ser "utilizadas no estado em que se encontram", podemos pensar no preparo a 100%.

 

4.1.4. Alemã

 

A HAB (Homöopathisches Arzneibuch), publicada em 1978, é a farmacopéia homeopática oficial alemã. Sua tradução inglesa é conhecida como GHP (German Homoeopathic Pharmacopoeia) (9). Não foi possível encontrar a descrição de forma farmacêutica líquida, mas apenas de formas farmacêuticas sólidas, ou de soluções para uso externo ou injetável.

 

4.1.5. Americanas

 

Farmacopéia Homeopática dos Estados Unidos (1)

A 8ª edição da Homoeopathic Pharmacopoeia of the United States (26) foi publicada em 1979. Na página 17, lê-se "formas de veículos para prescrição", onde só são abordadas formas sólidas, e que estas seriam feitas de "um tamanho suficientemente pequeno para servir de uma dose e veículo convenientes".

Na 9ª edição (1) , a "medicação" (ítem 14) ou impregnação é uma técnica que consiste em fixar uma atenuação líquida homeopática sobre um suporte ("matrix" em inglês) sólido. Formas farmacêuticas líquidas de dispensação não são claramente citadas nesta farmacopéia.

Esta farmacopéia é uma das aceitas pela atual Farmacopéia Homeopática Brasileira (2), na falta das monografias. Em sua parte geral encontra-se, no ítem "Formas de veículos para dispensação":

"Esta, como outras condições da farmácia homeopática, deve ser determinada pela simplicidade e conveniência ao médico e paciente. As formas e aspectos dos veículos não são de importância e podem variar de acordo com o gosto adequado e conveniência somente. Para este propósito o farmacêutico emprega certas formas feitas de sacarose e lactose. Estas podem ser usadas como pós e glóbulos medicados, tabletes, triturações, etc.

Estas são feitas de um tamanho suficientemente pequeno para servir como veículo e dose conveniente."

 

4.1.6. Homoeopathic Pharmacopeia of India (8)

 

Esta é outra farmacopéia estrangeira aceita pela Farmacopéia Homeopática Brasileira (2). No ítem "Dispensação do medicamento homepático" encontra-se a citação:

"A dispensação do medicamento homeopático é feita de acordo com a indicação do médico."

São descritas as formas de dispensação sob a forma de pós, tabletes e glóbulos porém não há referência de dispensação de líquidos.

 

4.1.7 Mexicana (25)

 

Na Farmacopea Homeopática de los Estados Unidos Mexicanos, publicação oficial de 1998, lê -se no ítem 5.6 que "impregnação é a técnica de fixar a dinamização em um veículo inerte: glóbulos, tabletes, granulados, pós. Como resultado deste processo, tais veículos tomarão o nome da dinamização com a qual foram impregnados".

No ítem 5.7, lê-se em formas farmacêuticas que "todas as formas farmacêuticas assinaladas na Farmacopea de los Estados Unidos Mexicanos são utilizadas para a elaboração de medicamentos homeopáticos." No entanto, na farmacopéia homeopática, não estão claramente previstas formas farmacêuticas líquidas.

 

4.1.8 Outras farmacopéias e autores:

 

Na Farmacopea Homeopatica de G.H.G. Jahr (7), no capítulo "Da preparação dos medicamentos homeopáticos em geral" encontramos as citações:

"Enfim, quanto a forma sob a qual o médico homeopata administra seus medicamentos, não é menos simples que sua preparação e se faz igualmente misturando substancias menos medicinais, como a água pura , o álcool , o açúcar de leite e os glóbulos compostos de açúcar ou amido. Estando sempre preparadas as atenuações de cada medicamento, recebe o enfermo a dose prescrita em forma de solução, com uma quantidade conveniente de água pura , ou de água misturada com álcool , ou em forma de pó misturado com uma pequena quantidade de açúcar de leite ou bem em forma de glóbulos impregnados da atenuação alcoólica do medicamento."

No Capítulo IV " Da dispensação dos medicamentos homeopáticos"

"Os medicamentos homeopáticos são administrados normalmente sob a forma de pós. Para isto se mistura uma gota, ou a quantidade prescrita de glóbulos, com alguns grãos (15 a 30cg) de açúcar de leite, e se coloca o pó em pequena cápsula para administrar ao enfermo, diluída em água ou a seco. O açúcar de leite, destinado neste caso a servir de veículo, e não para obter uma nova dinamização, não necessita ser triturado de novo com a dose medicamentosa e deve procurar-se não fazê-lo, caso não queira que esta aja com demasiada energia, pois por este meio se aumentariam os recursos. Se se deseja que esta dose aja com mais rapidez e com mais energia, se dissolve em uma colher de água, o que desenvolve imediatamente mais recursos e se apresenta aos órgãos em maior extensão do que quando tomada a dose seca.
Outro meio não menos usado em homeopatia, é dissolvendo a dose que se quer administrar ao enfermo em uma quantidade (120 a 180g) de água, e dar ao enfermo em uma só colherada, ou em intervalos mais ou menos imediatos. Como neste caso nem a água, nem a lactose, tem o propósito de aumentar os recursos da dose, seria igual e inteiramente contrário ao fim proposto, submeter estas diluições a novas sucussões.
Por último, um terceiro meio de administrar é cheirar o medicamento. Coloca-se um só glóbulo impregnado com a atenuação que se deseja em um dos pequenos tubos utilizados para conservar os glóbulos de sacarose embebidos, e que tem cerca de 3cm de altura e 4mm de largura, e se coloca o frasco destampado em uma narina do enfermo. Quando se quer reforçar a dose, se faz cheirar pela segunda narina. Se as narinas estão tampadas por uma coriza, um pólipo ou qualquer outra coisa, o enfermo inspirará pela boca, tendo a abertura do frasco entre os lábios. Para as crianças, aproxima-se o frasco sob uma das narinas durante o sono. Ultimamente, Hahnemann, para aumentar os efeitos da olfação, tem preferido dissolver o glóbulo em uma mistura de partes iguais água e álcool em um frasco capacidade de cerca de 150 gotas, e após se ter agitado esta mistura por alguns segundos, faz-se o enfermo cheirá-la."

Foram também consultadas as farmacopéias mexicanas de Luis G. Sandoval, de 1961 (10) e de Fabian Uribe, de 1939 (11), a Pharmacopoea Homoeopathica Polyglotta de Willmar Schwabe, de 1894 (12) e o Homöopathische Arzneibuch de Willmar Schwabe, de 1953 (13) e de 1958, assim como a versão espanhola, não tendo sido encontradas citações específicas sobre a dispensação de medicamentos líquidos.

Juan Arsenio Martinez (14), em sua obra Farmácia Homeopática, de 1979, descreve a dispensação de gotas através do seguinte texto:

"Podem ser simples ou compostas, segundo estejam constituídas de um ou mais componentes; podem ser tinturas-mães ou dinamizações; algumas substâncias podem ser insolúveis e não podem ser dispensadas em líquido abaixo da 4C de acordo com a F.W.S. Veículo: álcool 20%; medicamento: II gotas /cm³; envazes usuais: 5 a 30cm³."

Maria Matilde D. N. de González Lanuza(15), em sua obra Tratado de Farmacotechnia Homeopatica, descreve a dispensação de gotas com o seguinte texto:

"Se preparam com álcool de 20º e duas gotas de dinamização por mL. Quando o médico não especifica a quantidade, se dispensam 10mL. Envazes comuns: 5,10 e 20mL".

Galena (29), na página 91 traz as formas farmacêuticas de uso homeopático:

"As tinturas-mãe, as substâncias de origem ("souches" em francês), as diluições e triturações servem para elaborar as formas farmacêuticas de uso homeopático".

Em seguida, apresenta grânulos, glóbulos e comprimidos, e posteriormente, formas líquidas:

"Gotas: as soluções bebíveis destinadas a ser administradas por gotas são constituídas por uma ou mais tinturas-mãe, uma ou mais diluições ou uma mistura de tinturas-mãe e de diluições. São preparadas utilizando geralmente, para a última desconcentração, os seguintes veículos:

· álcool a 60% v/v: para a primeira decimal obtida a partir de uma tintura-mãe;

· uma mistura de 50 partes de glicerina, 30 partes de álcool e 20 partes de água: para a primeira decimar obtida a partir de um macerado glicerinado;

· álcool a 30% v/v: para as outras diluições.

Ampolas: as soluções bebíveis destinadas a ser dispensadas em ampolas são preparadas utilizando geralmente como veículo, para a última desconcentração, álcool a 15% v/v."

Como há mudança do veículo para dispensação, pode-se supor que a indicação, ainda que não esteja clara, seja de aviamento a 100%.

Richard Pinto (33) afirma que:

"serão realizadas a 1% m/v ou a 10%, conforme se deseja preparar CH ou DH, com excipiente álcool a 70% v/v. Exemplo: para a preparação de 10mL de Arnica 1CH, usar 0,1g (5 gotas) de Arnica TM e 9,9 cc de álcool a 70% v/v. Dinamização: sacudir no mínimo 100 vezes. Para a preparação de 10mL de Arnica 1D, usar 1 g (50 gotas) de Arnica TM e 9 cc de álcool 70% v/v. Dinamização: sacudir no mínimo 100 vezes. Preparação das gotas: utilizar-se-á o mesmo princípio que para a preparação das diluições, mas o veículo é álcool a 60% v/v para as primeiras decimais obtidas a partir de uma tintura-mãe e álcool 30% v/v para todas as outras diluições".

Antonius Dorta Soares, em seu livro sobre Farmácia Homeopática (34), na pág. 165 afirma que, "nas formas farmacêuticas líquidas, as dinamizações são preparadas de acordo com os métodos vistos anteriormente. Exemplo: soluções hidroalcoólicas".

Teria tido o autor a intenção de afirmar que devem ser feitas a 100% ou que as dinamizações são feitas através dos métodos já visto, isto é, hahnemanniano, etc., que até poderiam ser dispensados a 1%?

No livro de Steven Kayne (35), na página 53, lemos, abaixo de formas farmacêuticas disponíveis:

"líquidos: ocasionalmente tinturas-mãe podem ser administradas oralmente (por exemplo, Crataegus), geralmente em água. Potências líquidas, preparadas a partir de tinturas-mãe por diluição seriada como descrito anteriormente, com concentração alcoólica reduzida para 20%, podem também ser dadas diretamente na boca, em água ou em um cubo de açúcar. São geralmente fornecidas em frascos gotejadores com 5 ou 10mL e muito utilizadas em muitos países.

Mendez (30), na página 96, afirma que:

"as formas farmacêuticas líquidas de uso interno são as ampolas bebíveis, as bebidas ou poções e as gotas. As ampolas bebíveis e as bebidas ou poções são geralmente preparadas com álcool a 5% como veículo, sempre que não haja outro tipo de indicação, ao qual se adiciona a dinamização do medicamento indicado. As ampolas bebíveis são uma forma fracionada de dispensar uma bebida e é feita em volumes de 2,5 a 10mL. As gotas, por sua vez, permitem por sua forma de tomar, utilizar um veículo de graduação alcoólica maior: álcool 20%, e se procede igual aos casos anteriores.
Quando a potência indicada é menor ou igual a 30CH trabalhamos pelo método hahnemanniano de dinamização, formando a potência requerida "in situ". Nas potências maiores do que a 30CH, trabalhamos pelo método denominado ‘contaminação’ ".

Percebe-se que o autor propõe claramente que tanto os métodos entre nós chamado de 100% como o 1% sejam utilizados, dependendo da potência solicitada.

Banerjee, no capítulo 14 (sobre "Administração de drogas") de sua obra sobre Farmácia Homeopática (31), faz afirmações interessantes. Começa dizendo que há vários métodos de introdução das drogas no corpo, entre eles o método oral.
Em seguida afirma que a homeopatia tem métodos específicos de administração:

"quanto menor a dose do medicamento homeopático, mais leve e mais curto é o aumento aparente da doença. É melhor dar pequenos glóbulos do tamanho de semente de papoula umedecidos com a substância medicinal, que será então dissolvido em uma pequena quantidade de água destilada ou lactose".

.José Barros da Silva (32) afirma que, para o preparo de formas farmacêuticas derivadas líquidas deve-se partir de tintura-mãe, solução-mãe, preparação glicerinada ou uma potência medicamentosa qualquer (diluição imediatamente inferior a que se quer preparar), sendo o veículo etanol em diversas concentrações, água destilada, glicerina diluída, etc. O preparo ocorre através de diluição seguida de sucussão. O autor preconiza portanto o uso do dinamizado a 100%.

 

4.2 Considerações sobre Farmacotécnica Homeopática:

 

· Formas Farmacêuticas Sólidas

Glóbulos, tabletes e pós

Características:

- melhor conservação quanto ao aspecto de contaminação microbiológica devido a baixa atividade de água

- facilidade de administração ao paciente

- possibilidade de minimização da dose Þ pequenez da dose

- necessidade inerente de um suporte : sacarose para os glóbulos e lactose para tabletes e pós

- a faixa de impregnação é limitada pelas propriedades físico-químicas do suporte . A qualidade da impregnação é favorecida pela capacidade do insumo ativo de fixar-se no suporte . Esta capacidade é função da solubilidade, porosidade ou da afinidade do suporte pelo insumo ativo homeopático.

- As faixas de impregnação destas formas são as seguintes, segundo o Manual de Normas Técnicas da ABFH , 2ª edição:

a) Glóbulos : de 2 a 5% v/p, ou seja, para um vidro com 12g de glóbulos inertes, serão colocados de 0,24 mL a 0,6mL do insumo ativo. Se no vidro tivermos 240 glóbulos , teremos 0,001mL a 0,0025mL do insumo ativo por glóbulo.

b) Tabletes : 15% v/p, ou seja, para um vidro com 12g de tabletes inertes serão colocados 1,8mL do insumo ativo. Se no vidro tivermos 120 tabletes, teremos 0,015mL do insumo ativo por tablete.

c) Pós ( papeis) : 15% v/p, ou seja, para um papelote de 500mg serão colocados 0,075mL do insumo ativo.

· Formas farmacêuticas líquidas

Gotas( doses múltiplas) e dose única

Características:

- a conservação do medicamento depende da concentração alcoólica do veículo.

- dificuldade de administração ao paciente, porque dependendo do teor alcoólico do veículo, requer prévia atenuação do efeito tóxico do álcool em água para a sua ingestão.

- a dose pode ser prescrita de acordo com as necessidades de cada paciente e a linha de pensamento do prescritor; excetuando-se as baixas potências onde a concentração de substâncias farmacologicamente ativas podem atingir um grau de toxicidade que não permita seu aviamento.

- necessidade de um suporte: água purificada ou soluções aquosas alcoolizadas de 30%v/v a 70%v/v.

- a faixa de impregnação não é limitada pelas propriedades físico-químicas do suporte. A qualidade da impregnação é favorecida pela capacidade do insumo ativo ser completamente miscível, pois estes suportes são substâncias utilizadas na preparação do próprio insumo ativo, sendo possível a prescrição na forma de gotas do próprio insumo ativo.

- As faixas de impregnação destas formas são as seguintes (Manual de NormasTécnicas da ABFH (3)):

 

a) Dose Única: não há concentração definida, ficando a critério do prescritor definir a concentração desejada (o que neste caso, normalmente é feito). Como exemplo comum de prescrição e conseqüente aviamento desta forma, poderíamos citar X/30mL, que significa dizer 10 gotas do princípio ativo em 30mL de água destilada. Cabe observar que neste caso não ocorre uma diluição do princípio ativo, pois as 10 gotas do princípio ativo serão ingeridas pelo paciente. Os 30mL de água destilada são apenas para atenuar o efeito tóxico da alcoolatura elevada do princípio ativo. E neste caso, a quantidade de insumo ativo a ser ingerida pelo paciente seria de 10 gotas ou o equivalente a 0,333mL.

 

b) Gotas (doses múltiplas): 1 ou 100%, ou seja, para um vidro de 15mL, teríamos 0,15mL ou 15 mL do insumo ativo. Se no frasco tivermos 450 gotas, cada gota conterá 0,0003mL ou 0,0333mL do insumo ativo por gota.

 

Quantidade do Insumo Ativo por Unidade da Forma Farmacêutica - Manual de Normas Técnicas da ABFH (3)

Forma
farmacêutica

 

Glóbulos no 5Glóbulos no 5GotasGotas

Tabletes
100mg

 

Pós
500mg

 

Forma dePreparo

 

Impregnaçãoa 2% v/p

 

Impregnaçãoa 5% v/p

 

Impregnaçãoa 1% v/v

 

O próprio insumo ativo
(100%)

 

Impregnação
15% v/p

 

Impregnação
15%v/p

 

Quantidade do insumo
ativo/unidade

 

0,001 mL/
glóbulo

 

0,0025 mL/
glóbulo

 

0,0003 mL/
gota

 

0,0333 mL/
gota

 

0,018 mL/
tablete

 

0,075mL/
papel

 

 

Observações:

1- Foi considerado para efeito de cálculo que 1mL equivale a 30gotas de álcool 70%

2- Não foram consideradas perdas que normalmente acontecem no processo de impregnação de sólidos.

 

4.3 Considerações sobre farmacologia do medicamento homeopático

 

    É sabido que não se conhece o princípio ativo dos medicamentos homeopáticos, logo o mecanismo de ação não pode ser propriamente definido impossibilitando assim, os estudos sobre a biodisponibilidade do medicamento homeopático, e tornando difícil a definição da dose ideal de administração ao paciente. Todo o conhecimento nesta área vem da experimentação patogenética e clínica, e gerou a formação de diversas correntes ou escolas homeopáticas com diferentes abordagens da questão da dose em Homeopatia.

A maioria dos clínicos não consideram a relação entre insumo inerte e ativo a ser administrado ao paciente, mas sim a potência, escala, método do medicamento e a freqüência e repetição ou não deste medicamento.

 

4.4. O que encontramos em Hahnemann

 

    Samuel Hahnemann (24)- No prefácio "Relativo a parte técnica " acrescentado ao volume III da X edição das Doenças crônicas, publicado em 1837 cita:

" Um pequeno glóbulo de uma das mais altas dinamizações de um medicamento depositado seco sobre a língua, ou o aspirar moderado de um frasco aberto contendo um ou mais destes glóbulos, mostram-se a menor e mais fraca das doses, com o mais breve período de duração quanto a seus efeitos .Contudo, há numerosos pacientes de natureza tão excitável que são afetados o bastante por uma dose destas ,em transtornos agudos leves ,para serem curados se o remédio for escolhido homeopaticamente. Não obstante , a incrível variedade dos pacientes quanto à sua irritabilidade, idade, desenvolvimento espiritual e corporal, poder vital e especialmente quanto à natureza de sua doença, necessita uma grande diversidade em seus tratamentos, bem como na administração que lhe é feita na dose dos medicamentos, pois, suas doenças podem ser de vários tipos: ou uma simples e natural mas surgida há pouco ou mais antiga, ou uma complicada(combinação de vários miasmas) ou, ainda o que é pior e mais freqüente, que pode ter sido arruinada por um tratamento médico errôneo(perverso) e sobrecarregada por doenças medicamentosas."

"A experiência tem-me demostrado como sem dúvida deve ter também demostrado a maioria de meus seguidores, que o mais útil nas doenças de qualquer magnitude(sem excetuar mesmo as mais agudas se, ainda mais ,no caso das meio agudas, na prolongada e na mais prolongada) é dar ao paciente o glóbulo ou glóbulos homeopáticos poderosos apenas em solução e, esta solução ,em doses divididas. Deste modo, administramos o medicamento, dissolvido em sete a vinte colheres de sopa de água, sem quaisquer adições, nas doenças agudas e muito agudas, a cada seis, quatro ou duas horas; nos casos em que o perigo é eminente, até mesmo de hora em hora, uma colher de sopa por vez; para pessoas fracas ou crianças ,apenas uma parte pequena de uma colher de sopa (uma ou duas colheres de chá ou café) é que pode ser dada como dose."

" Nas doenças crônicas , descobri que o melhor é dar uma dose (por exemplo, uma colher cheia) de uma solução do medicamento adequado pelo menos a cada dois dias, e mais geralmente todo dia."

 

Samuel Hahnemann (23)- Organon 6ª edição

§ 3 - "Se o médico compreende nitidamente o que deve ser curado nas doenças, isto é, em cada caso individualmente(reconhecimento da doença, indicação) e compreende o elemento curativo dos medicamentos, isto é, em cada medicamento em particular(conhecimento das forças medicamentosas),sabendo, segundo fundamentos nítidos, adequá-lo ao que ele, sem sombra de dúvida, detectou de patológico no doente, tendo em vista o restabelecimento e objetivando, tanto a adequação do medicamento no caso, segundo seu modo de ação( escolha do meio de cura, Indicat), como também a adequação relativa ao preparo exato e à exata quantidade dos mesmos(dose certa) e ao tempo apropriado de repetição da dose; se ele conhece, enfim, os obstáculos ao restabelecimento em cada caso e sabe como afastá-los, de modo que a cura seja duradoura, saberá, então agir racional e profundamente e será um legítimo artista da cura."

§ 68 - " Nas curas homeopáticas a experiência nos mostra que, em relação às doses extraordinariamente pequenas(§275-287)que são necessárias neste método de tratamento e que são exatamente suficientes para dominar, através da semelhança de seus sintomas, a doença natural e removê-la das sensações do princípio vital, na verdade, após a extinção desta última, às vezes deixam subsistir, ainda, a princípio, certa doença medicamentosa, isolada no organismo, porém, em virtude da extraordinária exiguidade da dose, ela é tão passageira, tão ligeira e desaparece espontaneamente tão depressa, que a força vital não precisa opor, contra esse pequeno desarranjo artificial de sua saúde, nenhuma reação mais significativa do que a necessária para conduzir o estado atual saudável(isto é, adequada ao restabelecimento completo)para o que, após a extinção do desarranjo mórbido, ela requer um pequeno esforço."(§64b).

 

Nas observações referentes a experimentação Hahnemann escreve:

§ 128 - "As experimentações mais recentes ensinaram que, quando as substâncias medicamentosas são ingeridas em estado bruto pelo experimentador com o propósito de provar seus efeito peculiares, não manifestam tanto toda a riqueza de seus poderes que estão nelas ocultos como quando são ingeridas com o mesmo objetivo em altas diluições , potencializadas por trituração e sucussão adequadas; através destas simples manipulações, a força que permanece oculta em seu estado bruto e como que adormecida, desenvolve-se e sua atividade desperta-se de maneira incrível. Desse modo, investigam-se melhor, então, as forças medicamentosas mesmo das substâncias consideradas fracas, dando ao experimentador, diariamente em jejum, de 4 a 6 glóbulos muito pequenos da 30ª potência, umedecidos em um pouco de água ou dissolvidos ou misturados em uma quantidade menor ou maior de água, continuando-se, assim, por vários dias."

 

§ 129 - " Se, mediante tais doses surgirem apenas efeitos fracos, pode-se, então, aumentar a dose diária dos glóbulos, até que tais efeitos se tornem mais nítidos e mais fortes e as alterações do estado de saúde sejam mais sensíveis, pois poucas pessoas são afetadas por um medicamento com a mesma intensidade, havendo, ao contrário, imensa diversidade nesse sentido, de modo que, às vezes, uma pessoa aparente débil, quase não é afetada por uma dose moderada de um medicamento considerado muito ativo, mas será fortemente afetada por muitos outros que, em contrapartida, são bem mais fracos. E, por outro lado, existem pessoas muito robustas que apresentam consideráveis sintomas mórbidos devido à um medicamento aparentemente suave e apenas sintomas mais leves devido a medicamentos mais fortes etc. Ora, como não se pode saber isso com antecedência, é aconselhável, em cada caso, começar com uma pequena dose medicamentosa e, quando for conveniente e necessário, aumentar progressivamente a dose diária."

 

§ 159 - " Quanto menor a dose do medicamento homeopático no tratamento de doenças agudas, tanto, menor e mais curta é também esta intensificação aparente da doença durante as primeiras horas."

 

§ 275 - " A conveniência de um medicamento, para um caso dado de doença, não se baseia apenas em sua escolha homeopática acertada, mas também, certamente, na grandeza exata, mais justamente na pequenez de sua dose. Se for dada uma dose de demasiadamente forte de um medicamento, mesmo escolhido de maneira completamente homeopática para o estado mórbido em questão, não obstante o inerente caráter benéfico de sua natureza, tornar-se-á prejudicial pela sua grandeza e pela impressão desnecessária e demasiadamente forte que, graças à sua ação homeopática de semelhança, produz força vital e, por meio desta, justamente sobre as partes mais sensíveis do organismo e que foram mais afetadas pela doença natural."

 

§ 276 - " ... Doses demasiadamente intensas de um medicamento homeopático corretamente escolhido e principalmente, uma repetição freqüente do mesmo, causam, via de regra, muitos inconvenientes. Não raro, põem em perigo de vida o doente ou tornam sua doença quase incurável...."

 

§ 278 - "Aqui se apresenta a questão: qual o grau de pequenez mais adequado para um efeito medicamentoso certo e seguro? Qual deve ser a pequenez da dose de cada medicamento unitário escolhido homeopaticamente para um caso de doença, a fim de conseguir a melhor cura? Resolver esse problema e determinar qual deve ser a dose específica suficiente de cada medicamento para fins terapêuticos homeopáticos, sendo tão diminuta que a mais suave e a mais rápida cura pode ser conseguida, facilmente se pode perceber, não constitui um trabalho de especulação teórica. O raciocínio sutil ou a sofismação capciosa trazem tão poucas informações quanto possibilidades de calcular previamente todos os casos imagináveis. Somente a experimentação pura, a observação cuidadosa da sensibilidade de cada doente e a prática correta podem determinar isso em cada caso particular e seria absurdo colocar as grandes dose de medicamentos inadequados(alopáticos)da antiga escola, que não tocam homeopaticamente o lado doente mas apenas atacam as partes não afetadas pela doença, contra o que a experiência pura declara."

 

4.5 .Textos de autores que representam diversas linhas de pensamento e

condutas de prescrição.

 

Diferentes pontos de vista podem ser claramente observados nos diversos relatos dos autores abaixo selecionados:

 

4.5.1. G.H.G. Jahr

 

"O método dos especifistas, que ensina a basear a escolha do medicamento no nome patológico do caso dado e nos sintomas patognomônicos da lesão orgânica, é o mais irracional de todos, porque ele sempre visa o produto da enfermidade e não da própria enfermidade em si, daí resultando que os partidários desta heresia sempre necessitarão de doses mais ou menos maciças para vencer a enfermidade, enquanto que os verdadeiros homeopatas, que seguem as regras de Hahnemann, as curam geralmente muito melhor e mais rapidamente do que eles e por meio de doses infinitamente menores."

(Jahr,G.H.G. A prática da Homeopatia Princípios e regras, Rio de Janeiro:Grupo de Estudos Homeopáticos James Tyler Kent, 1987, p.234)

 

"Talvez nada exista em toda a nossa doutrina que divida tantos os pontos de vista e opiniões do que o volume e o número de atenuações em que devem ser administradas as doses homeopáticas."

(Jahr,G.H.G. A prática da Homeopatia Princípios e regras, Rio de Janeiro:Grupo de Estudos Homeopáticos James Tyler Kent, 1987, p.235)

 

"..., a dose em que deve ser administrado o medicamento, se poderia afirmar que reina, em relação a esse ponto, uma grande indecisão entre a maioria dos praticantes e mesmo aqueles que chegaram a adotar uma certa regra mais ou menos constante, pois algumas vezes poderiam ficar bem embaraçados se fosse preciso sustentar, através de discussões racionais, a sua forma de agir."

(Jahr,G.H.G. A prática da Homeopatia Princípios e regras, Rio de Janeiro:Grupo de Estudos Homeopáticos James Tyler Kent, 1987, p.235)

 

"... enquanto que outros rejeitam , com uma inconseqüência sem igual, os glóbulos como absolutamente ineficazes, sem ao menos pensar que eles ainda nos devem a prova de que dois ou três glóbulos da terceira, por exemplo, não contenham muito mais matéria ativa do que uma gota da sexta, à qual esses mesmos raciocínios descerebrados recusam sequer um rasgo de atividade. Mas o que há de mais espantoso é que cada um, para sustentar a sua tese e para justificar a sua forma de agir, logo convoca a sua experiência prática: tanto uns como os outros citam como apoio às suas afirmações casos nos quais todas as outras formas de administrar as doses falharam e nos quais eles só obtiveram sucesso por meio daquela adotada definitivamente; ..."

(Jahr,G.H.G. A prática da Homeopatia Princípios e regras, Rio de Janeiro:Grupo de Estudos Homeopáticos James Tyler Kent, 1987, p.236)

 

"O mesmo resultado negativo, a respeito das experiências concludentes, se apresentam quando percorremos os anais clínicos e comparamos atentamente as diversas observações práticas. Neles podem ser vistas as doses mais diversas, tanto por seu volume como por sua freqüência, localizadas umas ao lado das outras e todas coroadas de sucesso, aguardando a sentença do juiz para o primeiro prêmio, sem que ninguém tenha conseguido, até aqui, resolver esta questão com um mínimo de segurança; por esse motivo, alguém poderia quase que se sentir tentado a dar razão àqueles que sugerem que o volume da dose não tem absolutamente nenhuma influência sobre o sucesso do tratamento e que qualquer medicamento curará todos os casos com qualquer dose, desde que tenha sido bem indicado. Foi exatamente a esta última conclusão que vários homeopatas chegaram, pedindo para que se rejeitasse inteiramente a prática das pequenas doses como uma redundância inútil da doutrina homeopática, para que no futuro, essa seja praticada com as doses utilizadas na antiga escola, a fim de evitar o ridículo ligado às doses infinitesimais. Nós mesmos estamos bem longe de desconhecer o que esta proposição contém de razoável sob um certo ponto de vista e também não hesitaríamos em aderir a ela, de todo coração, se ficasse melhor provado o fato de o volume da dose realmente não possuir nenhuma influência sobre o sucesso do tratamento. Isso porque, por mais constatado que esteja o fato de que as doses maciças e as doses mínimas já se mostraram eficazes em mais de um caso na prática, ainda está bem longe a conclusão de que esta eficácia deva ser a mesma em todos os casos possíveis e que, entre eles, não haja nenhum em que a diferença da dose não seja de um grande peso para o sucesso, nem que fosse para impedir de prejudicar com um dose excessivamente forte, ou pra evitar a ineficiência do medicamento com uma dose excessivamente pequena. Seja qual for a opinião sobre a diferença entre as nossas doses, sempre será preciso que, pelo menos, se estabeleçam limites que o praticante possa ultrapassar sem se arriscar a prejudicar ou a não obter nada."

(Jahr,G.H.G. A prática da Homeopatia Princípios e regras, Rio de Janeiro:Grupo de Estudos Homeopáticos James Tyler Kent, 1987, p.236)

 

"... é que esta pequena dose de alguns glóbulos, administrada a seco ou dissolvida em várias colheradas de água para ser tomada em frações de pequenas colheres, efetivamente demonstra possuir constantemente uma energia  perfeitamente suficiente para a cura das enfermidades mais graves e mais persistentes, todas as vezes em que o medicamento se adaptar perfeitamente às indicações características do caso dado. E isto é tão verdadeiro que se poderia dizer, sem hesitar, que todas as vezes que uma tal dose se mostra inteiramente insuficiente, o erro está unicamente no fato de o medicamento não possuir uma relação perfeitamente homeopática com as indicações características do caso e nunca no fato de ser esta dose excessivamente fraca em si mesma."

(Jahr,G.H.G. A prática da Homeopatia Princípios e regras, Rio de Janeiro:Grupo de Estudos Homeopáticos James Tyler Kent, 1987, p.249)

 

"Seja qual for a preferência que mereçam as pequenas doses de alguns glóbulos, todas as vezes que for possível encontrar um medicamento perfeitamente indicado, mesmo assim é preciso convir que o estado atual de nossos conhecimentos práticos não nos permite ainda dispensar inteiramente as doses maciças. E é isso que faz com que seja insuficiente determinar somente a dose menos volumosa com a qual se pode ainda obter curas em alguns casos, mas que seja ainda necessário fixar a dose mais volumosa na qual o praticante poderá, em caso de necessidade, administrar seus remédios, sem ter medo de fazer mal a seu paciente, mesmo que ele tenha se enganado na escolha do medicamento, sem deixar de estar seguro de que este volume será sempre suficiente forte para fazer bem, por pouco que o medicamento por si mesmo seja capaz de curar o caso dado. Com esse objetivo, talvez não fosse de todo inútil lembrar aos nossos leitores que Hahnemann, antes de tomar como regra o emprego de alguns glóbulos, ele mesmo administrava seus medicamentos, seja na dose de uma gota inteira de uma atenuação líquida, seja na de três a cinco centigramas de uma trituração, e que, mesmo tendo achado estas doses excessivamente fortes para muitos casos, jamais ela considerou-as excessivamente fracas a ponto de sentir necessidade de aumentá-las. E é exatamente isso que a experiência confirmou plenamente até hoje, a ponto de se poder dizer com certeza que, seja qual for o caso que necessite de doses mais ou menos maciças, o praticante jamais terá necessidade de utilizar doses mais fortes do que aquelas de uma gota inteira ou de três a cinco centigramas, desde que o medicamento possua a propriedade de curar a enfermidade existente."

(Jahr,G.H.G. A prática da Homeopatia Princípios e regras, Rio de Janeiro:Grupo de Estudos Homeopáticos James Tyler Kent, 1987, p.250)

 

"... de uma forma geral, que as doses admissíveis em um tratamento homeopático são aquelas que variam de alguns glóbulos até uma gota inteira ou 3 a 5 centigramas no máximo, acrescentando-se , entretanto, que aquelas doses de alguns glóbulos devem formar a regra para todos os casos em que for possível escolher entre vários medicamentos mais ou menos indicados, exceção para os casos em que essa possibilidade de escolha inexista."

(Jahr,G.H.G. A prática da Homeopatia Princípios e regras, Rio de Janeiro:Grupo de Estudos Homeopáticos James Tyler Kent, 1987, pp.250-251)

 

"... e só reservar o uso de gotas inteiras ou das doses de 3 a 5 centigramas aos casos para os quais, ainda hoje, não exista nenhum medicamento conhecido capaz de combater, em pequenas doses, a enfermidade existente."

(Jahr,G.H.G. A prática da Homeopatia Princípios e regras, Rio de Janeiro:Grupo de Estudos Homeopáticos James Tyler Kent, 1987, p.251)

 

"Esta necessidade de não multiplicar as doses de uma forma desmedida ou inútil existe não somente para as doses fortes, mas ainda e da mesma forma para as menores. Isso porque o que distingue essencialmente o tratamento homeopático de qualquer outro é o fato de que ele é e deve ser dinâmico, ou seja, a cura deve ser obtida através da própria reação vital do organismo contra a enfermidade e o medicamento só deve representar o papel de agente provocador, não de agente executante."

(Jahr,G.H.G. A prática da Homeopatia Princípios e regras, Rio de Janeiro:Grupo de Estudos Homeopáticos James Tyler Kent, 1987, p.252)

 

"Não administrar nem mais ou menos do que o necessário e jamais prescrever a seu paciente uma nova dose sem que ela esteja positivamente indicada, eis a única forma verdadeiramente racional de praticar a homeopatia e a única que pode levar à obtenção de um sucesso real."

(Jahr,G.H.G. A prática da Homeopatia Princípios e regras, Rio de Janeiro:Grupo de Estudos Homeopáticos James Tyler Kent, 1987, p.252)

 

"Deixemos o método da saturação do organismo pelo medicamento para os materialistas austríacos que o inventaram e para seus emissários que querem expandi-lo na França; eles são, é verdade, excelentes alopatas; trataremos, pois, de sermos homeopatas não menos excelentes."

(Jahr,G.H.G. A prática da Homeopatia Princípios e regras, Rio de Janeiro:Grupo de Estudos Homeopáticos James Tyler Kent, 1987, p.253)

 

"Ora, não podendo nenhum praticante saber ao certo se encontrou o verdadeiro medicamento homeopático antes de observar seus efeitos, segue-se que, para se por desde o princípio ao abrigo de qualquer inconveniente que pudesse resultar de uma dose excessivamente forte de um medicamento mal aplicado, seria preciso conhecer o limite a partir do qual as doses deixariam de ser capazes de provocar acidentes lamentáveis, sem, no entanto, se tornarem muito fracas para combater a enfermidade. O grande desacordo que reina entre os praticantes de nossa escola a respeito das diversas atenuações de que cada um utiliza não tem sua razão de ser em uma espécie de anarquia ou falta de regras racionais, mas sim em conseqüência da natural diferença, quase insensível, que há entre estas atenuações, desde que sejam empregadas nas menores e mais raras doses possíveis; assim sendo, o que mais convém fixar é o volume e a freqüência das doses, mais até que o número de atenuações."

(Jahr,G.H.G. A prática da Homeopatia Princípios e regras, Rio de Janeiro: Grupo de Estudos Homeopáticos James Tyler Kent, 1987, p.258)

 

"O que se denomina ação dinâmica dos medicamentos homeopáticos é uma expressão bastante imprópria para designar o que existe realmente, porque o que constitui o verdadeiro caráter das curas homeopáticas ditas dinâmicas é precisamente o fato de que os medicamentos não manifestam, e nem devem manifestar, nesses casos, nenhuma ação positiva que não seja a de excitar, através do contato com os órgãos, a reação particular que o órgão ou o ponto atingido emprega para se desembaraçar desse contato estrangeiro."

(Jahr,G.H.G. A prática da Homeopatia Princípios e regras, Rio de Janeiro: Grupo de Estudos Homeopáticos James Tyler Kent, 1987, p.262)

 

"Ora, se é preciso convir que não poderia haver cura mais perfeita do que aquela produzida pelo organismo, em virtude de sua própria potência, a atenção do praticante deveria então, em todos os casos, se dirigir, antes de tudo, a determinar tanto quanto possível um medicamento capaz de levar à cura com a dose mais imperceptível possível e que pudesse excluir de forma absoluta, qualquer idéia de uma ação energética diferente da do organismo por si só, provocada pelo contato do medicamento com o ponto de partida de atividade mórbida."

(Jahr,G.H.G. A prática da Homeopatia Princípios e regras, Rio de Janeiro: Grupo de Estudos Homeopáticos James Tyler Kent, 1987, p.262)

 

"Queremos falar da prescrição de nossas doses na forma de gotas e sobre a adição de uma certa quantidade de espírito de vinho (álcool etílico) às soluções aquosas a serem utilizadas durante muitos dias. Um e outro desses tipos de prescrição são bastante usuais na prática de nossa arte e até duvidamos que sejamos escutados no que temos a dizer contra esse modo. Mas não nos importa a oposição que poderíamos encontrar; é para nós por uma questão de consciência que sentimos o dever mais imperioso de cumprir; mesmo que somente um de nossos colegas nos escute e submeta à experiência o que temos a dizer, nós já ficaríamos bastante contentes. É do conhecimento de todos a grande satisfação com que os partidários dos glóbulos falam de sua ação mais positiva, mais segura e, por assim dizer, menos irritante do que as gotas e a preferência absoluta que eles lhe atribuem sobre qualquer outro modo de administração."

(Jahr,G.H.G. A prática da Homeopatia Princípios e regras, Rio de Janeiro: Grupo de Estudos Homeopáticos James Tyler Kent, 1987, pp. 302-303)

 

"Mas o que é não menos real é que esta ação mais suave e não menos suficiente que eles manifestam em relação às gotas não provém absolutamente, comogeralmente se pensa, do fato de a dose alguns glóbulos ser menor do que a de uma gota, mas sim de um outro fato ao qual jamais se prestou a devida atenção. Quanto à potência ativa de alguns glóbulos e a de uma gota inteira não existe, na realidade, e nem poderia haver outra diferença que não fosse a existente entreduas diluições sucessivas. Se a gota de uma diluição pode umectar um númeroequivalente a 300 glóbulos, cada dose de 3 glóbulos conterá evidentemente acentésima parte desta gota. Se com essa mesma gota, em lugar de umectar 300 glóbulos, se fizesse uma nova diluição, cada gota da nova diluição conteria acentésima parte desta gota; daí segue-se que a dose de 3 glóbulos de uma diluição qualquer é, em relação à matéria ativa que nela está contida, absolutamente igual à dose de uma gota inteira da diluição subseqüente. O praticante que prescrevesse 3 glóbulos de 15ª, prescreveria, então, uma dose absolutamente igual àquela de uma gota inteira da 16ª e, em todo caso, uma dose muito mais forte do que a de uma gota da 18ª. O fato de as doses de gotas inteiras serem freqüentemente muito mais irritantes do que aquelas de alguns glóbulos não provém, então, de essas primeiras doses serem mais fortes do que as últimas, mas unicamente de elas ainda conterem o espírito-de-vinho que evaporou nas preparações em glóbulos, senão inteiramente, pelo menos quase que totalmente, e que possui incontestavelmente a propriedade de aumentar a intensidade de qualquer ação medicamentosa. Nas doses distribuídas sob a forma de pó, após haver umectado uma certa quantidade de lactose por meio de uma ou de várias gotas de uma diluição alcoólica, esse fato não se apresenta de uma forma tão evidente e algumas vezes nem aparece, já que, desta forma, o espírito-de-vinho se evapora quase que completamente quanto nos glóbulos, que só são acondicionados nos frascos quando estão bem secos. Mas as coisas são bem diferentes com as doses de algumas gotas que são misturadas a uma certa quantidade de água para fazer diluições aquosas e ainda mais soluções aquosas às quais se acrescenta uma certa porção de álcool, a fim de que elas se conservem por mais tempo. Nesses casos e, sobretudo, nos últimos, o álcool não deixa de exercer uma influência mais ou menos pronunciada sobre a ação do medicamento e é devido a esse único fato que ocorrem os efeitos mais ou menos irritantes dos quais se queixam algumas vezes os pacientes mais ou menos nervosos, os quais nós quase que deixamos de observar depois que renunciamos inteiramente a essa adição."

(Jahr,G.H.G. A prática da Homeopatia Princípios e regras, Rio de Janeiro: Grupo de Estudos Homeopáticos James Tyler Kent, 1987, pp. 302-303.

 

4.5.2 Paulo Rosenbaum

 

"A abordagem clássica da idiossincrasia nos fala de um hábito ou temperamento peculiar de cada indivíduo; de uma suscetibilidade peculiar ou pessoal a alguma droga, alimento ou agente qualquer. Ou ainda a uma vinculação com conceitos como os de alergia ou anafilaxia."

(Rosenbaum P. Miasmas saúde e enfermidades na prática clínica homeopática ,1ªed.,São Paulo: Roca, 1998, p.112)

 

" Sabemos que os aspectos mais sutis - sempre, portanto, os mais individualizadores - dependem diretamente do grau qualitativo de sensibilidade `a substância ingerida ou experimentada."

(Rosenbaum P. Miasmas saúde e enfermidades na prática clínica homeopática,1ªed.,São Paulo: Roca, 1998, p.112)

 

"Kent aborda a suscetibilidade e suas correlações em dois momentos. Em um de seus escritos menores ele correlaciona diretamente suscetibilidade à idiossincrasia. Ele nos informa que Hahnemann, através da lei dos semelhantes, pode montar um modelo teórico que explicava o que as outras escolas não podiam: aonde não há moléstia (porque não há predisposição ou vulnerabilidade necessária). Então, por dedução, podemos perfeitamente supor que existem tantas formas de suscetibilidade quanto o número de sujeitos. Nas experimentações isto fica particularmente patente quando alguns experimentadores desenvolvem sintomatologia exuberante após uma única dose, e outros que apresentam sintomas pouco pronunciados, reativos e, às vezes, realmente insignificantes apesar de várias doses ( o que nos inclina a pensar na responsividade qualitativa sobrepõe à quantidade de estímulo). O conceito de idiossincrasia então, visto sob o prisma homeopático, alarga-se significativamente e não encontra lugar só como uma forma peculiar de reação ao estímulo noxal, mas como uma sensibilidade para responder desproporcionalmente aos mínimos estímulos, à excitabilidade infinitesimal. Este conceito é especialmente hipertrofiado dentro da visão homeopática porque:
a)a sensibilidade para responder de forma inversamente proporcional aos mínimos estímulos (infinitesimais). 
b)as substâncias são diluídas e dinamizadas, não possuindo, portanto, os efeitos das drogas ponderais (apesar de algumas doses estarem abaixo do limite de dispersão da matéria).
c)todos, sem exceção, possuem em maior ou menor grau alguma suscetibilidade."

 (Rosenbaum P. Miasmas saúde e enfermidades na prática clínica homeopática,1ªed.,São Paulo: Roca, 1998, pp. 119-120)

"Em Homeopatia, quando estamos acima do número de Avogrado (acima de 12CH ou segundo as últimas pesquisas da 30CH), portanto, acima do limite de dispersão da matéria, saindo do terreno da toxicologia, entramos na esfera da ação supraquímica ou doses ultramoleculares."

(Rosenbaum P. Miasmas saúde e enfermidades na prática clínica homeopática,1ªed.,São Paulo: Roca, 1998, p.121)

 

"Kent observa que em sua experiência pacientes que estão sob tratamento homeopático tornam-se mais sensíveis a estes medicamentos enquanto no terreno das substâncias ponderais ocorre uma reação inversa: diminuição progressiva das respostas, o que na verdade caracteriza o quadro conhecido como tolerância medicamentosa, podendo chegar, como freqüentemente chegamos observar, ao fenômeno da refratariedade."

(Rosenbaum P. Miasmas saúde e enfermidades na prática clínica homeopática,1ªed.,São Paulo: Roca, 1998, p.120)

 

"A abordagem posológica também assume um papel importante já que a repetição de doses pode ser um erro terapêutico, principalmente como estratégia apriorística e permanente, uma vez que o juízo prescritivo deve depender sempre da análise da suscetibilidade individual. Quando o estímulo medicamentoso é contínuo, indivíduos com reação lenta, por exemplo, podem não encontrar tempo para responder."

(Rosenbaum P. Miasmas saúde e enfermidades na prática clínica homeopática,1ªed., São Paulo: Roca, 1998, p.122)

 

"Parece haver um "quantum" variável de informações, o qual uma vez atingido e superado o limiar de suscetibilidade, desencadeia a geração dos fenômenos, mostrando que a suscetibilidade é um estado momentâneo que precede a diminuição da resistência, responsável pelo caminho que a enfermidade seguirá. Uma vez esta suscetibilidade "preenchida" ou "saciada" ,ou pela enfermidade ou pela administração do medicamento, "as causas da enfermidade já não atuam", pois há uma imunidade contra o estímulo da causa da enfermidade e Kent desfecha o assunto assumindo a sua convicção: "a suscetibilidade é o fundamento de todo contágio e de toda a cura".

(Rosenbaum P. Miasmas saúde e enfermidades na prática clínica homeopática,1ªed.,São Paulo :Roca, 1998, p.123)

 

Comentário:

Neste texto o autor expressa sua visão quanto a importância da suscetibilidade do paciente ao medicamento e a freqüência de tomada, não considerando a quantidade do insumo ativo a ser fornecida.

 

"O processo de estimar a ação necessária das substâncias através das doses infinitesimais e as distintas dinamizações representaram um processo revolucionário na prática médico-terapêutica na medida em que antes somente raros pensadores médicos - os mais importantes Avicena e Paracelso - raciocinaram (sem nenhuma sistematização) o medicamento diluído (mas não dinamizado) como uma estratégia para extrair as propriedades medicamentosas das substâncias."

(Rosenbaum P. Miasmas saúde e enfermidades na prática clínica homeopática,1ªed.,São Paulo: Roca, 1998, p.267)

 

"Sabemos, no entanto, que não há em toda a literatura homeopática - especialmente nos casos anetotais e patogenesias - uma única prova que um 30CH seja mais ou menos eficaz do que uma C10M. Quase todas as observações fundamentam-se nos frutos da experiência individual que através de uma tradição oral pouco criativa vai contaminando as gerações seguintes com os mesmos dogmas posológicos."

(Rosenbaum P. Miasmas saúde e enfermidades na prática clínica homeopática,1ªed.,São Paulo:Roca, 1998, pp.265-266)

 

"Quando Hahnemann observa, no parágrafo 3, que o "médico deve estimar a quantidade requerida (dose apropriada)", provavelmente fala de dose, quantidade, quantum de medicamento infinitesimal deve ser administrado ao paciente de modo que o enfermo se cure. Convém lembrar que Hahnemann, na 1ª edição do "Organon da Arte de Curar", estava apenas saindo da experiência com a similaridade toxicológica e iniciandose nas investigações sobre as diluições e dinamizações. Portanto, alguns conceitos hahnemanianos - mesmo com as mudanças de edição para edição - conservam algumas características fundamentais de seu estudo e conhecimento da química toxicológica e da ponderabilidade da dose."

(Rosenbaum P. Miasmas saúde e enfermidades na prática clínica homeopática,1ªed.,São Paulo:Roca, 1998, p.267)

 

"Segundo Benoît Mure, não basta que um medicamento seja similar à enfermidade que se quer combater, mas que tenha também o " grau de energia e de atividade do estado mórbido".

(Rosenbaum P. Miasmas saúde e enfermidades na prática clínica homeopática,1ªed.,São Paulo:Roca, 1998, p.123)

 

4.5.3 Nilo Cairo

 

"Modo de administrar internamente os medicamentos homeopáticos: podem ser empregados em Tinturas (Líquido), em glóbulos, em tabletes ou pastilhas, em pó ou trituração e, hoje em dia, em injeções.
Os pós, os glóbulos e os tabletes podem ser tomados a seco sobre a língua, deixando que a saliva os dissolva, sem mastigar, e depois engolindo, ou previamente dissolvidos em água, em regra geral, do seguinte modo: pós ou triturações :25 centigramas para 10 colheradas de água

tabletes : 1 tablete para 2 colheradas de água

Quanto aos líquidos, isto é, as Tinturas, serão tomadas em Gotas diretamente pingadas sobre a língua, ou previamente dissolvidas em água destilada ou filtrada - 1 gota para uma colherada d’água. Das tinturas -mães cuja dose não for expressamente indicada usar-se-ão8 gotas ao dia, fracionadamente. Estando os remédios preparados em poção líquida a dose é: adulto: 1 colher de sopa crianças de 3 a 10 anos: 1 colher de sobremesa crianças de peito: 1 colher de chá"

(Cairo,Nilo Guia de Medicina Homeopática,21ª edição, São Paulo: Livraria Teixeira, 1988, p.13)

 

"A dose deve ser equivalente a estas, quando os remédios forem tomados a seco sobre a língua."

(Cairo,Nilo Guia de Medicina Homeopática,21ª edição, São Paulo: Livraria Teixeira, 1988, p.14)

 

" Mas para produzir os seus efeitos curativos, é necessário que o medicamento não seja administrado nas doses em que ele produziu seus efeitos patogenéticos, do contrário provocaria estes efeitos e agravaria àqueles, que lhes são semelhantes."

(Cairo,Nilo Guia de Medicina Homeopática,21ª edição, São Paulo: Livraria Teixeira, 1988, p.83)

Comentário: o autor faz um alerta sobre a diferença entre a dose terapêutica e a dose patogenética.

 

"As dinamizações líquidas podem ser adquiridas nas farmácias homeopáticas, seja em sua forma primitiva (líquida), seja sob a forma de glóbulos (que se embebem na dinamização líquida, secando-os em seguida), seja sob a forma de pastilhas ou tabletes que se fazem umedecendo o açúcar de leite com a dinamização líquida e moldando-o em formas adequadas. Qual dessas dinamizações usar em um dado caso? Em regra, é a experiência clínica que o determina; mas, de um modo geral, pode-se dizer que quanto mais aguda é a moléstia, tanto mais baixa pode ser a dinamização escolhida; tanto mais crônica a moléstia mais alta deverá ser a dinamização."

(Cairo,Nilo Guia de Medicina Homeopática,21ª edição, São Paulo: Livraria Teixeira, 1988, pp.86-87)

Comentário:

Podemos considerar que o autor ao se referir ao aviamento da forma primitiva líquida, esteja se referindo ao aviamento do dinamizado (100%), entretanto ao se referir a escolha do medicamento em função do quadro clínico, este se restringe a qual dinamização utilizar, mais baixa ou mais alta, não fazendo referência a quantidade ou forma farmacêutica a ser usada.

 

4.5.4 Francisco Xavier Eizayaga

 

"A dose em Homeopatia Definição: chama-se dose a quantidade de medicamento que um enfermo deve ingerir em cada tomada, e por dia, para modificar seu estado de enfermidade. Quando o medicamento em substância, se pode calcular também sua quantidade por kilograma de peso ou por sua concentração no sangue. Neste caso, sua ação farmacológica, química, tóxica e é natural que maior quantidade produza maior efeito terapêutico. Quando se emprega um medicamento dinamizado, por outro lado, exercendo seu poder dinâmico ou energético, não produz efeito pela quantidade, posto que não tem substância, mas sim por similitude e grau de dinamização. Isto quer dizer que atua qualitativamente e dinamicamente, porém não ponderalmente, posto que carece de massa. Por isso, em Homeopatia com potências medicamentosas, não se deve falar de doses no sentido de massa, mas sim de potências e repetição das tomadas. Resulta habitual e normal que as potências tenham ação mais intensa quanto mais altas sejam e quanto mais freqüentes sejam as tomadas. Quando em Homeopatia se empregam Tinturas-mães ou baixas potências (1D a 3D até mesmo 4CH), atuam simultaneamente por similitude e por massa, e podem chegar a ser perigosas para a saúde. (ver parágrafo 276 e 277 do Organon (23)) Um médico homeopata deve ter presente que ao prescrever um medicamento dinamizado não interessa tanto a quantidade de glóbulos nem de gotas de bebida que ingira, quanto sua potência e freqüência. "Antes de termos o medicamento acabado, o qual será dado ao paciente, resta uma última operação: a droga deve ser colocada em uma forma galênica. Isto significa que a preparação homeopática deve ser incorporada a um excipiente neutro."

( Eizayaga, F.X. Tratado de Medicina Homeopatica, 3ª ed., Buenos Aires: Marecel, 1992, p.254)

 

"Aplicação das distintas potências segundo as formas farmacêuticas
a)as potências baixas de 1D a 3D se prescrevem habitualmente em gotas, quando são diluições decimais de tinturas alcoólicas.
b) as triturações se usam em pó de lactose ou em tabletes
c)os glóbulos se podem prescrever em qualquer potência.
d)as gotas se pode prescrever em qualquer potência. Em geral, cada gota equivale a um glóbulo. Por exemplo: Belladona 6C gotas 30cc ( o medicamento vai a razão de 2 gotas/cc)
f) os tabletes podem ser impregnados como os glóbulos. Em geral, um tablete equivale a cinco glóbulos."

( Eizayaga, F.X. Tratado de Medicina Homeopatica, 3ª ed., Buenos Aires: Marecel, 1992, p.254)

 

Comentário: Neste texto fica bem definida a concentração de aviamento da forma farmacêutica gotas, embora o autor estabeleça uma relação de equivalência entre gotas e glóbulos sem considerar a concentração de aviamento da forma glóbulos, não considerando se a quantidade de insumo ativo em um glóbulo é igual a uma gota.

 

4.5.5 Ana Kossak-Romanach

 

"A noção de quantidade foi no início relacionada à ponderabilidade. Dose forte significava aquela próximo do ponderal e dose fraca aquela mais reduzida ou diluída. Após a descoberta da farmacodinâmica das doses infinitesimais ou imponderáveis, o conceito inicial de dose foi erroneamente mantido e com freqüência relacionado ao volume de solução ou do excipiente, à quantidade de gotas, de líquido ou de glóbulos. A prescrição do volume do preparado homeopático é arbitrária, pois a questão da quantidade não encontrou ainda normas definitivas de emprego e os clínicos adotam as grandezas consideradas razoavelmente suficientes para contatarem e estimularem elementos receptores ao nível das mucosas."

(Kossak-Romanach, A. Homeopatia em 1000 Conceitos, São Paulo: Elcid, 1984, p. 344)

 

"O conceito farmacológico de dose como quantidade da droga a ser administrada a um ser vivo para produzir um efeito determinado, não se adapta à Homeopatia,onde o fator massa ou ponderabilidade não representa o principal aspecto do medicamento."

(Kossak-Romanach, A. Homeopatia em 1000 Conceitos, São Paulo: Elcid, 1984, p. 344)

 

"O termo dose, empregado por hábito ou pela falta de outra designação mais adequada, indica apenas o fato da administração ou repetição do medicamento. Diz-se dose única, dose repetida ou dose espaçada, independentemente do número de gotas ou glóbulos ministrados. Duas gotas ou dez gotas nã o retardam nem aceleram o resultado final do tratamento homeopático."

(Kossak-Romanach, A. Homeopatia em 1000 Conceitos, São Paulo: Elcid, 1984, p. 156)

 

"Em Homeopatia, a dose guarda caráter essencialmente qualitativo e não quantitativo, sendo o seu poder energético condicionado pela potência e pela similitude, o problema de massa como fator tóxico, bem como os conceitos de dose forte e de superdosagem deixam de ter importância. A expressão dose forte referente à massa ponderal figura em trabalhos antigos, mas desde que o poder energético medicamentoso das doses mínimas imponderáveis tornou-se um dos fundamentos do método, o emprego destes termos tornou-se esporádico."

(Kossak-Romanach, A. Homeopatia em 1000 Conceitos, São Paulo: Elcid, 1984, p. 339)

 

4.5.4 Max Tetau

 

"As diferentes escolas:
- Os unicistas ou Kentistas, rigoristas do método homeopático: o que significa que só prescrevem um único remédio de cada vez, o qual se aproxima o mais possível do similimum.
- Os pluralistas: sem desprezar o remédio único, prescrevem vários remédios indicados conforme a sintomatologia no decorrer do dia, porém em tomadas separadas.
- Os complexistas: usam fórmulas compostas polivalentes com auxílio de remédios complementares, em geral à base de diluições."

(Tetau,Max Homeopatia e estruturas bioterápicas, 6ª edição, São Paulo:Andrei, 1980, pp.34-35)

 

"Na França, em prosseguimento aos trabalhos de Leon Vanier, o sistema de pluralismo moderado prevaleceu. A maioria dos homeopatas empregam diluições baixas para os remédios de drenagem, diluições médias para os remédios de sintomas, e diluições elevadas para a diáteses e o campo."

(Tetau,Max Homeopatia e estruturas bioterápicas, 6ª edição, São Paulo:Andrei, 1980, p.35)

 

"Na Alemanha e na Rússia dominam o complexismo e as baixas diluições, e os alemães praticam a homeopatia da TM a 3CH. Na Inglaterra, na Índia, o unicismo estricto, assim como as diluições elevadas, têm numerosos partidários."

(Tetau,Max Homeopatia e estruturas bioterápicas, 6ª edição, São Paulo:Andrei, 1980, p.35)

 

"Na América do Norte, no Brasil, na Argentina, há duas tendências nitidamente divergentes: os unicistas altodilucionistas de um lado, os complexistas do outro. Na Itália e nos países greco-latinos, nota-se as mesmas tendências gerais que na França. Na Suíça, estão representadas as três escolas."

(Tetau, Max Homeopatia e estruturas bioterápicas, 6ª edição, São Paulo:Andrei, 1980, p.35)

 

"DRENAGEM: consiste em estimular um ou vários órgãos que permitem a eliminação do organismo das toxinas liberadas pelo medicamento homeopático. A maior parte dos medicamentos de drenagem são de origem vegetal receitados em diluições muito baixas de 20 a 50 gotas, uma a duas vezes ao dia."

(Tetau,Max Homeopatia e estruturas bioterápicas, 6ª edição, São Paulo:Andrei, 1980, p.38)

 

"ORGANOTERAPIA DILUÍDA E DINAMIZADA: utiliza extratos tissulares em estado desconcentrado, diluídos e dinamizados pelo método hahnemaniano. Atua diretamente sobre a glândula ou tecido em questão, reerguendo o funcionamento perturbado, estimulando-o ou freando-o segundo regras precisas."

(Tetau,Max Homeopatia e estruturas bioterápicas, 6ª edição, São Paulo:Andrei, 1980, p.43)

 

"As regras de posologia são :

- as diluições baixas (4 a 5CH) de órgãos são excitadoras

- as diluições médias (7CH) de órgãos são reguladoras

- as diluições elevadas (9 a 30CH) de órgãos são freadoras

São preparadas as diluições decimais e centesimais que serão apresentadas sob as formas galênicas usuais em homeopatia, em particular o supositório e a ampola perlingual, que gozam da preferência médica como apresentando resultados mais constantes."

(Tetau,Max Homeopatia e estruturas bioterápicas, 6ª edição, São Paulo:Andrei, 1980, p.45)

 

4.5.5 Nash

 

"Quando Hahnemann primeiro verificou a correção da lei homeopática dos semelhantes, empregava nos experimentos iniciais doses relativamente pequenas de medicamentos em estado natural, menores que as que a escola médica comum habitualmente prescrevia; entretanto, ele descobriu que essas doses relativamente pequenas provocavam, quando aplicadas segundo a lei dos semelhantes, agravações dos padecimentos tão violentas que se viu obrigado a buscar meios de evitar tamanho transtorno. E somente por este motivo ele recorreu a princípio ao que ele então denominou "diluições", ou melhor, uma mera redução quantitativa. Esse processo de subdivisão, mais tarde por sucussão e trituração, levou gradativamente a outra descoberta, que devido a ele revelavam-se propriedades até então desconhecidas, e daí o termo "dinamização".

Agora perguntamos que dinamização, ao invés de dose, devemos utilizar? Agora tendo chegado tão longe, podemos fixar um limite à dose ou dinamização que seja baixo?

(Nash,E.B. O testemunho da Clínica: 100 casos homeopáticos comentados, Rio de Janeiro: Luz & Menescal Editores, 1998, pag. 10)

 

4.5.6 Benoît Mure

 

"Teoria das Doses (quantidade, escolha da diluição, repetição, modo de administrar)
A questão das doses, em si, contém dois aspectos: a quantidade e a diluição. No que tange à quantidade, ela não alcançará jamais ser muito fraca. A matéria é divisível ao infinito. Cada giro do pilão, ao dividir cada átomo em duas partes, produz, em 1 hora, uma tal quantidade de moléculas que cada glóbulo, portanto, basta não só para um doente, mas certamente para centenas em milhares. Várias vezes tivemos de tratar de lotes inteiros de africanos infectados de bexigas, trazidos ao Brasil pelos comerciantes de escravos negros. Uma glóbulo de Vacina, Arsênico ou Mercúrio, dissolvido em 1 litro de água e distribuído em pequenas colheradas a todos os doentes: esse foi muitas vezes o início de nosso tratamento, levando em conta o que podíamos obter dos relatos individuais daqueles infelizes, que falavam uma língua que nos era desconhecida. Ou, nesses casos, jamais percebemos que 1 centésimo de glóbulos surtisses um efeito menor do que 1 glóbulo inteiro. Já dissemos, as diluições baixas convém às doenças agudas. E as elevadas às crônicas. Quanto à administração do medicamento, que a menor quantidade imaginável nos parece a melhor. Um glóbulo que contenha um 200º de gota pode bastar para muitos doentes."

(Mure, B.J. Patogenesia Brasileira, São Paulo: Rocca, 1999, p.28)

 

4.5.7 Henry Duprat

 

" Os medicamentos prescritos em homeopatia apresentam-se em diversas formas: líquida, tintura ou diluições puras, dadas em gotas de uma só vez em um pouco de água; poções, que consistem em uma parte de diluição contida em certa quantidade de água alcoolizada e dada ao paciente às colheradas"

(Duprat,H. A Teoria e a Técnica Homeopática,Rio de Janeiro:Gráfica Olímpica Editora Ltda, 1974, p.141)

 

" Vejamos diversos tipos de receitas onde são empregadas as várias formas:...

Exemplo II . - Rhus toxicodendron 12K - XX gotas

Água destilada alcoolizada a 1/10, 125gr

a) Uma colher de sopa pela manhã em jejum

b) Uma colher de café de 2 em 2 ou de 4 em 4 horas até melhorar ou até que haja

alguma reação ( nos estados agudos)
 

Exemplo V. - Sulfur 200K - V gotas

Saccharum lactis q.s. para um pacotinho

Tomar todo o conteúdo do papel pela manhã, em jejum.

A prescrição II, forma b, e a preparação V são as que mais acoadunam com a prática estritamente homeopática e com as regras magistrais."

(Duprat,H. A Teoria e a Técnica Homeopática,Rio de Janeiro:Gráfica Olímpica Editora Ltda, 1974, p.142-143)

 

" Por fim, parece-me aconselhável explicar claramente o que significa, em linguagem homeopática, tomar certa porção de um medicamento ou "uma dose", como mais habitualmente se diz. Quando de trata de medicamentos infinitesimais, pelo menos a partir da 6ª diluição centesimal, a quantidade tomada não tem, teoricamente, importância de espécie alguma. Não se pode conceber a diferença quantitativa que existe entre uma gota ou um glóbulo e dez gotas ou dez glóbulos desses preparados infinitesimais. Se a pesquisa da ação tóxica própria de determinado medicamento, usado alopaticamente, exige medições exatas, a pesquisa homeopática da ação reativa secundária exige apenas o contato da substância medicamentosa com o organismo.O importante é que o medicamento seja absorvido. Sua dose é constituída pela diluição a que ele é submetido. Trata-se,na realidade, de uma dose qualitativa e não quantitativa, se é que nós podemos exprimir assim."

(Duprat,H. A Teoria e a Técnica Homeopática,Rio de Janeiro:Gráfica Olímpica Editora Ltda, 1974, p.146)

 

5. DISCUSSÃO

 

Desde Hahnemann os homeopatas tem orientado suas investigações em três direções:

- do domínio médico: a realização de novas patogenesias ou a reavaliação das patogenesias antigas - do domínio farmacêutico: empregar as técnicas de fabricação e controles precisos dos medicamentos homeopáticos

- do domínio da experimentação:demonstrar a atividade farmacológica das diluições homeopáticas Ao avaliarmos a farmacotécnica da forma farmacêutica gotas, observamos não haver nenhum impedimento no seu aviamento nas concentrações de 1 a 100%.

Pois o veículo usado no aviamento de qualquer uma destas concentrações, solução hidroalcólica , é o mesmo usado na preparação do dinamizado, tendo por tanto as mesmas características físico-químicas e não havendo nenhuma incompatibilidade. Cabe lembrar que nas baixas diluições, até 3CH ou 6D deve-se usar a mesma alcolatura da tintura mãe para evitar precipitações das substâncias presentes, que podem ser insolúveis em outra alcoolatura. Acima destas potências o grau de diluição destas substâncias já é maior que 1 para 1.000.000 e a diferença de alcolatura já não é capaz de produzir precipitação. Logo é perfeitamente possível, farmacotécnicamente falando, aviarmos a forma gotas nas concentrações de 1 a 100%.

Outra avaliação muito importante que podemos fazer na questão farmacotécnica é a da concentração de aviamento das várias formas farmacêuticas, nas suas unidades posológicas ( ou seja, um glóbulo, uma gota, um tablete, um papelote).
Podemos observar que a concentraçâo das várias unidades é diferente umas das outras, bem como variam de acordo com a percentagem de impregnação usada ou o volume da gota ou o tamanho do glóbulo ou tablete empregado. Demonstrando que no atendimento a uma prescrição a mudança da forma de aviamento de um medicamento de gotas para glóbulos por exemplo, deveria ser acompanhado de uma mudança na posologia, garantindo assim, que se a quantidade do medicamento a ser ingerido pelo paciente for importante, este estaria recebendo a mesma quantidade prescrita pelo médico no caso da troca.

Continuando ainda nesta área, pudemos ver de forma incontestável que todas as formas farmacêuticas anteriormente citadas tem sua ação comprovada pela experiência de seu uso em muitos anos de homeopatia, desde o glóbulo aviado de 2 a 5% ( com 0,001mL a 0,0025mL do dinamizado por glóbulo) até as gotas aviadas de 1 a 100% ( com 0,0003mL a 0,0333mL do dinamizado por gota) ou o tablete aviado a 15% (0,0180mL por tablete) e os pós aviados também a 15% (0,0750mL por papel). É interessante observar que a forma gotas aviada a 1% tem a quantidade de insumo ativo por unidade posológica mais próxima da forma glóbulos ( 3 a 8 vezes menor que a do glóbulo) do que a forma gotas aviada a 100% ( 25 a 33 vezes maior que a do glóbulo) . Não pudemos encontrar nenhum trabalho que demonstrasse a diferença de ação entre um medicamento homeopático aviado em gotas a 1% ou a 100%, nem entre glóbulos aviados de 2 a 5% e gotas aviadas a 100%, ou entre quaisquer outras formas farmacêuticas.

 

6. CONCLUSÕES

 

A questão de gotas aviadas a 1% ou a 100% , se refere a quantidade do insumo ativo a ser administrada ao paciente. Se considerarmos que a quantidade de medicamento a ser administrada ao paciente é determinante no tratamento, e por tanto há diferença entre a ação do medicamento com 0,0003 ml por gota e o medicamento com 0,0333mL por gota, é lógico se afirmar que esta diferença também ocorra com as outras formas farmacêuticas (glóbulos ,tabletes e pós), e que devamos estabelecer regras para que a mudança da forma farmacêutica seja acompanhada de uma mudança na posologia, de forma que a prescrição do clínico não seja alterada. O clínico estará escolhendo a quantidade de medicamento a ser administrada ao paciente e nós a estaremos aviando na forma farmacêutica que melhor convier ao paciente sem alterar as quantidades da prescrição. Somente neste caso a rotulagem do medicamento quanto a sua concentração faz sentido e portanto se faz necessária, caso contrário seria um instrumento de marketing entre duas correntes de pensamento homeopático ou duas farmácias.

Se considerarmos a variação que a quantidade de medicamento homeopático aviada nas concentrações de 0,0003mL por gota até 0,0750mL por papel nos exemplos citados, os dois extremos de concentração citados tendo como referência o M.N.T. da ABFH, não produz alteração significativa no tratamento do paciente, pois a questão da similitude e da homeopaticidade são as determinantes quanto ao efeito do medicamento, não seria necessário considerarmos a correção da posologia na mudança de forma farmacêutica, nem seria necessário que o medicamento tivesse sua concentração de aviamento rotulada, pois o médico estaria esperando a resposta do medicamento unicamente pela escolha do medicamento, escala, potência e método.

 

7 - Recomendações

 

O receituário médico é soberano, e não havendo nenhum impedimento nas baixas diluições quanto a toxicidade do medicamento, que este possa ser aviado de 1 a 100% na forma farmacêutica de gotas, de acordo com a experiência clínica de cada prescritor. Compete ao prescritor determinar a concentração de aviamento do medicamento, caso ele ache necessário, e não a nós farmacêuticos buscar dentro de nossos "achismos"a resposta para esta questão, pois estamos falando da experiência clínica de cada prescritor e nós não somos prescritores e não temos experiência clínica e nem podemos adivinhar o que cada prescritor pensa.

Contudo, é observado em nossa prática diária, não ser habitual encontrarmos a concentração da forma farmacêutica gotas nas receitas que chegam aos nossos estabelecimentos, ou por esquecimento do prescritor, ou pelo mesmo não levar em consideração a concentração como uma determinante na ação do medicamento, ou porque o mesmo acredita que sabe como o medicamento é feito e na hora de mudar a forma farmacêutica em uma prescrição transforma o número de glóbulos ou tabletes por ele prescrito em um número de gotas que não corresponde de forma alguma com a quantidade de medicamento dinamizado inicialmente prescrito. É fundamental que os cursos de formação de médicos, cirurgiões-dentistas e veterinários, dêem o devido valor a disciplina de farmacotécnica homeopática, aumentando a carga horária e revendo o conteúdo programático junto a ABFH, Faculdades de Farmácia que tenham a disciplina em seus cursos de formação, ou mesmo com as entidades que ministrem cursos de especialização. Tudo visando garantir o pleno conhecimento por parte dos prescritores das peculiaridades da farmacotécnica homeopática, o que permitirá a eles mesmos uma avalição mais ampla da resposta de seus pacientes. A alternativa para a falta de indicação da concentração da forma farmacêutica gotas na prescrição, nos parece ser a de manipular e aviar esta forma numa faixa de concentração que varie de 3 a15% v/v , faixa de concentração de aviamento das formas farmacêuticas sólidas no Manual de Normas Técnicas da ABFH - 2ª edição e atendendo a Farmacopéia Homeopática Brasileira - 2ª edição. Desta forma, o medicamento aviado terá a quantidade de medicamento dinamizado por gota mais próxima da quantidade de um glóbulo ou um tablete, diminuindo assim a diferença de ação que a quantidade de medicamento possa ter na prescrição de uma forma ou outra do medicamento escolhido. A concentração pode ser calculada de tal forma que a quantidade de medicamento dinamizado presente em uma gota do medicamento na forma líquida seja quase a mesma da presente em um glóbulo,reduzindo a diferença de ação que possa existir entre as formas de aviamento do medicamento e eliminando a possibilidade de mais uma variável para os prescritores. Lembramos que tal alternativa só seria usada para as receitas que não tivessem a indicação da concentração de aviamento pelo prescritor.

 

8 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

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