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Associação Brasileira de Farmacêuticos Homeopatas

 

Ao realizar a meta-análise, publicada em 27 de agosto de 2005 no renomado The Lancet, Shang et cols levantam uma temática interessante em relação a comprovação da efetividade dos medicamentos Homeopáticos.

Em uma primeira análise, tanto a Homeopatia como a Alopatia, mostraram-se efetivas. Porém, quando o grupo de pesquisadores realizou uma meta-análise dos ensaios clínicos, verificou que apenas 9(8%) dos estudos Alopáticos e 21(19%) dos estudos homeopáticos foram classificados como de alta qualidade e também observaram, que nestes aparecia uma menor efetividade da medicação Homeopática.

O grupo interpreta a queda de efetividade da Homeopatia em estudos de "alta qualidade" como uma evidência de que o efeito do medicamento homeopático se deve ao conhecido efeito Placebo. Entretanto, uma outra interpretação é plenamente cabível. Modelos duplo-cego-randomizado, que por si só, eliminam as peculiaridades do indivíduo em uma população testada, são antagônicos ao modelo da terapia homeopática que pressupõe uma anamnese detalhada e individualizada do doente e o acompanhamento prolongado e pormenorizado do paciente pelo clínico.

O Artigo define as intervenções homeopáticas como:

1. Homeopatia Clássica - anamnese homeopática detalhada, seguida da prescrição de único remédio individualizado com a possibilidade de uma mudança subseqüente do medicamento em resposta as alterações sintomáticas do indivíduo.

2. Homeopatia Clínica - se a história homeopática não é colhida, todos os pacientes recebem o mesmo medicamento.

3. Homeopatia Complexista - todos recebem uma mistura de vários medicamentos homeopáticos.

4. Isopatia - utiliza como medicamento o agente causador do distúrbio (por exemplo pólen) preparado pela farmacotécnica homeopática.

Notamos nesta classificação que apenas a intervenção tipo 1 (Homeopatia Clássica) obedece aos preceitos de individualização que são tão caros à Homeopatia, e que as intervenções dos tipos 2,3,4 representam uma "ALOPATIZAÇÃO" da terapêutica dos Semelhantes, e não por acaso são também as que melhores se encaixam em uma metodologia de "Alta Qualidade" do ponto de vista do modelo aceito oficialmente, ou seja duplo-cego-randomizado.

Este artigo, publicado na The Lancet, demonstra que: - tanto pesquisas em homeopatia quanto em alopatia precisam ser mais criteriosas do ponto de vista metodológico; - os homeopatas precisam pesquisar mais; - as pesquisas em homeopatia devem seguir protocolos científicos que respeitem o viés homeopático; - os pesquisadores devem conhecer mais os princípios fundamentais da homeopatia quando se propuserem a compará-la a outras terapêuticas.

Temos notícias de duas meta-análises, realizadas anteriormente à última edição da The Lancet, todas com resultados favoráveis à homeopatia. Kleijnen e cols conduziram um minucioso estudo de revisão de ensaios clínicos na área de homeopatia realizado no período de 1966 a 1990. O resultado desse estudo foi publicado em fevereiro de 1991 no British Medical Journal. Cabe mencionar que nenhum dos autores é homeopata. Conforme relato dos próprios autores, eles ficaram surpresos com fato de que a grande maioria dos resultados foram favoráveis à homeopatia, mesmo entre os ensaios considerados de boa qualidade metodológica. Klaus Linde e colaboradores também realizaram uma meta-análise para avaliar se os efeitos clínicos relatados dos medicamentos homeopáticos eram equivalentes aos proporcionados pelos placebos. Os resultados também foram favoráveis à homeopatia. Contudo esses autores afirmaram que os resultados da meta-análise não apresentam evidências suficientes de que tratamentos simples sejam claramente eficazes em uma condição clínica específica. Entretanto, isso não nos surpreende, uma vez que a homeopatia prioriza a totalidade sintomática e não o diagnóstico clínico. E, pasmem, essa meta-análise foi publicada, em fevereiro de 1997, pelo periódico The Lancet. Cabe ressaltar que as duas meta-análises relatam falhas metodológicas em muitos trabalhos homeopáticos. Porém, conforme relata Dana Ullman em seu artigo Scientific evidence for homeopathic medicine as pesquisas clínicas realizados com tratamentos convencionais nos últimos anos apresentam percentagens de falhas metodológicas semelhantes às encontradas nos ensaios homeopáticos.

Com quem está a verdade? No individuo ou na população? Vandenbroucke em seu comentário sobre a publicação de Shang et Col., publicado na mesma edição da The Lancet, cita uma frase do filósofo Willian Olser que pode ser traduzida como:

“Toda verdade científica é condicionada ao estado do conhecimento proclamado em seu tempo.”

Texto:

Ivan da Gama Teixeira

Colaboração:

Márcia Aparecida Gutierrez

Olney Leite Fontes

Rinaldo Ferreira

 

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construída e administrada por Maria Thereza Cera Galvão do Amaral
Criada em 1999. Revisado: dezembro, 2017.

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