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 Bioterápicos e Nosódios



    Um tema caro aos homeopatas é o papel dos microorganismos na e para a Homeopatia.

    Alguns acreditam que eles nada mais são do que aproveitadores do momento de doença do indivíduo e que, sendo dado um medicamento adequado, eles são eliminados pelo próprio organismo; outros acreditam que "as toxinas bacterianas e a própria bacteria acrescentam sintomas à doença psicossomática de fundo"1 e que "o nosódio mobiliza a enfermidade latente ou suprimida quando bem indicado" 1.
Teria por função curar a infecção separadamente da totalidade do organismo, "limpando" os sintomas agregados pelas bactérias, restando uma SINTOMATOLOGIA PURA para a pesquisa do medicamento de fundo.

    Enquanto um grupo lhe dá uma importância ocasional, o outro o eleva a condição de modificador de terreno, quase um antipsórico. "Sempre se discutiu se os bioterápicos são medicamentos homeopáticos, pois com excessão de Luesinum, Medorrhinum, Psorinum, e Tuberculinum, os demais não tem experimentação no homem são, tem apenas patogenesia clínica. Por isso eles constituem um capítulo a parte dentro da Homeopatia. Os franceses os consideram medicamentos homeopáticos porque eles se fundamentam numa lei de analogia como a Homeopatia, e são também diluídos e dinamizados, dependem de uma reação própria do organismo ao qual são administrados e são eficazes sem serem tóxicos."2

    Vamos à eles.

    Começamos dizendo que o termo NOSÓDIO foi substituído por BIOTERÁPICO, que é a denominação francesa. Enquanto NOSÓDIO se definia por "medicamentos preparados com produtos patológicos, vegetais ou animais", BIOTERÁPICOS se define por "produtos quimicamente não definidos (secreções, excreções patológicas ou não, certos produtos de origem microbiana e alérgenos) que servem de matéria prima para as preparações homeopáticas bioterápicas" (Farmacopéia Francesa décima edição, 1985).

    Os bioterápicos franceses são feitos em baixas potências porque são lisados ou detoxicados, enquanto os do Dr. Roberto Costa, médico e pesquisador brasileiro, são organismos vivos e por isso são feitos a partir da D 24.

Classificação :

1. Bioterápicos
 
  • a. bioterápico de estoque:

    a1. códex - soros, vacinas, toxinas e anatoxinas, inscritos na Farmacopéia Francesa, preparados por laboratórios especializados (Instituto Pasteur francês ou Mérieux).
    Ex. BCG, Staphylotoxinum, Tuberculinum.

    a2. simples - Obtidas a partir de "vacinas estoques" constituídas por culturas microbianas puras, lisadas e atenuadas em determinadas condições.
    Ex.Colibacillinum, Influenzinum, Streptococcinum.

    a3. complexos - definidos pelo seu modo de obtenção (secreções ou excreções patológicas) ou seu modo de preparação.
    Ex. Luesinum, Psorinum, nosódios intestinais Bach-Paterson.

    a4.ingleses ( Nosódios Intestinais de Bach-Paterson)

    a.5. Bioterápicos Dr. Roberto Costa - (nosódios vivos Roberto Costa)- São preparados com microrganismos vivos, na escala decimal, usando como diluente cloreto de sódio 0,9%. A solução de partida é uma suspensão contendo 3 bilhões de microorganismos por ml, em solução. Até a D 11 as diluições são feitas em solução fisiológica 0,9%. Da D12 em diante, as diluições são feitas em solução hidroalcoólicas 50%. Para cada diluição são dadas 50 sucussões.

     

  • b. isoterápicos:

    b1. isoterápicos - ou hetero-isoterápicos, são preparados a partir de substâncias exógenas (alérgenos, toxinas ou medicamentos), tudo que de alguma forma "sensibilizam" o paciente. Estão nessa categoria todos os alérgenos, pólens, poeiras, pêlos, solventes, medicamentos alopáticos, alimentos, etc.

    b2. auto isoterápicos - ou endógenos (auto-nosódios) - são preparados a partir de excreções ou secreções obtidas do próprio doente (sangue, urina, escamas, fezes, pus, etc). Antigamente chamados de auto nosódios.


Prescrição

Poderá ser solicitado por médicos, veterinários e dentistas.
No receituário deve constar material que deve ser ou foi coletado, dinamização desejada e forma farmacêutica desejada).

Como as farmácias não estão preparadas para a realização de coletas de materiais veterinários, seria interessante conversar com a(o) farmacêutica(o) responsável de uma farmácia homeopática e se informar sobre o modo de coleta e conservação.
Nunca esquecer de avisar se o material for de doença infecto-contagiosa, com mais ênfase ainda se for uma zoonose.
Segundo os farmacêuticos, FORMOL não é ideal, devendo ser evitado, melhor são água/álcool/glicerina, soro fisiológico ou álcool 96°.

O material tem prazo de validade, é interessante consultar a farmácia.

Exemplos:

  • - Bioterápicos ditos "Códex"

    Aviare- (sinonímia: Tuberculinum aviare) - produto otido a partir de culturas de mycobacterium tuberculosis variedade aviare, sem adição de antissépticos.

    Diphtericum: soro anti-diftérico proveniente de animais imunizados com toxina ou com anatoxina diftérica.

    D.T.T.A.B.- toxina diftérica diluída, obtida diluindo-se o líquido da cultura do bacilo diftérico recentemente preparado e filtrado em filtro de porcelana, com solução isotônica de cloreto de sódio.

    Gonotoxinum- vacina anti gonogócica constituída por uma suspensão de bactérias provenientes de culturas de "gonococos" mortos por aquecimento, em solução isotônica de cloreto de sódio.

    Influenzinum - bioterápico obtido a partir de vacina antigripal do Instituto Pasteur.

    Soro Anticolibacilar - Soro antibacilar de origem caprina.

    Soro de Yersin- Soro anti-peste proveniente de animais imunizados com bacilos pestes (Yersinia pestis) mortos ou vivos.

    Staphylotoxinum- preparado a partir de anatoxina estafilocócica descrita no "Códex".

    Tuberculinum- tuberculina bruta obtida a partir de culturas de espécies de Mycobacterium tuberculosis de origem humana e bovina. Antiga denominação : T.K.

    Tuberculinum residuum- solução glicerinada contendo as frações insolúveis em água, do bacilo de Koch (Mycobacterium tuberculosis). Antiga denominação : T.R.

    V.A.B.- vacina constitutída por uma suspensão de bactéria vivas provenientes de subculturas de espécie artificialmente etenuada, descrita por Calmette et Gueri sob o nome de "B.C.G.".

    Vaccinotoxinum- vacina antivariólica preparada a partir de fragmentos epidérmicos recolhidos por raspagem de uma erupção cutânea de varíola em uma novilha inoculada após cinco dias com o vírus da varíola.

  • - Bioterápicos simples.

    Colibacilinum - lisado obtido a partir de culturas de Escherichia coli, sem adição de antissépticos.

    Eberthinum- lisado a partir de culturas de Salmonella typhy, sem adição de antisséptico.

    Enterococcinum- lisado obtido a partir de culturas de Streptococcus fecalis, sem adição de antisséptico.

    Paratyphoidinum B- lisado obtido a partir de culturas de Salmonella paratyphi B sem adição de antisséptico.

    Staphylococcinum- lisado obtido a partir de culturas de Staphylococcus aureus, sem adição de antisséptico.

    Streptococcinum- lisado obtido a partir de culturas de Streptococcus detoxicados, sem adição de antisséptico.

     

  • Bioterápicos Complexos

    Anthracinum- preparado a partir de um lisado de fígado de coelho infectado por carbúnculo (Bacilus anthracis)

    Luesinum- lisado de serosidades treponêmicas de cancros duros, preparados sem adição de antissépticos. Antiga denominação: Syphilinum.

    Medorrhinum- lisado de secreções uretrais blenorrágicas colhidas antes de tratamento por antibióticos ou sulfamidas.

    Morbillinum- lisado de exsudatos bucofaríngeos de doentes com sarampo, colhidos antes de qualquer tratamento.

    Pertussinum- lisado de expectoração de doentes com coqueluche, colhidas antes de qualquer tratamento.

    Psorinum- lisado de serosidade de lesões de sarna, colhida de doentes sem tratamento prévio.

    Pyrogenium- lisado de produtos de decomposição provenientes da autólise de carde de boi, porco e placenta humana.

    Oscillococcinum- auto lisado filtrado de fígado e coração de pato (Anas barbarie). Oscillococcinum 200 K é uma especialidade (tem patente) dos Laboratórios Boiron, da França. Lá é preparado somente nessa dinamização.

     

  • Bioterápicos ingleses

    Bacilo de Morgan(Proteus morgani) Bacilo Gram-negativo, móvel, anaeróbio facultativo, isolado de fezes de crianças com diarréia estival; ele seria responsável pela diarréia.

    Dysentery-Co ou B. dysenterial(Shigella dysenteriae) - Bacilo Gram negativo imóvel, anaeráobico facultativo, agente da disenteria bacilar à qual só o homem e o macaco são sensíveis.

    B.Gaertner(Samonella enterididis) - S. enteritidis é um sorotipo de Salmonella, frequente nos animais, que provoca intoxicações alimentares no homem.

    B.Mutabilis( B. faecalis- coccal-Co (B. Coli mutabile)- tido como uma Escherichia coli lactose positiva, daí seu nome.

    Bacillus nº 7 (B. asiaticus; B. cloacae; B. freundi) - não tem nomenclatura correspondente na bacteriologia. O B. cloacae é o Enterobacter cloacae, cujos caracteres se assemelham ao Aerobacter aerogenes, isolado do solo, água e de matérias fecais do homem e de animais.

    Sycotic-Co ou Sycoccus-Paterson (Streptococcus faecalis)- estreptococo ovóide, alongado, não hemolítico, isolado de matérias fecais do homem e dos animais.

    Bacillus nº 10- não há correspondente na nomenclatura bacteriógica. Preparado pela Farmácia Nélson, de Londres, sem mais informações.

    B. Morgan-Gaertner (Nosódio de Paterson) - idem anterior.

    B.coli(Escherichia coli) .


baseado nas apostilas:

1. Dra. Stella Maris Benes, do curso de Homeopatia para veterinários, da Associação Paulista de Homeopatia, 1996.

2. Professora Mafalda Biagini, do Congresso Brasileiro de Homeopatia, Belo Horizonte, setembro de 1992.

 

 

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Criada em 1999. Revisado: novembro, 2014.

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