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MEDICAMENTOS HOMEOPÁTICOS:COMO PODEMOS GARANTIR SUBSTÂNCIAS EM ESTADO BRUTO CONFIÁVEIS DE ACORDO COM A MATÉRIA MÉDICA?


Dr. Friedrich Dellmour

Comissão Européia para Homeopatia (ECH)

Coordenador da Subcomissão de Farmacologia

Matéria Médica e Farmacopéia (Bruxelas)

Fax-Nr. ++43-4276-38698

e-mail: naturpark.gurktal@ bittner.telecom.at

 

Muitos dos nossos medicamentos homeopáticos são produzidos de maneira correta, utilizando substâncias em estado bruto que estão de acordo com a matéria médica e as experimentações. Mas os fabricantes também vendem medicamentos homeopáticos que não correspondem à literatura original, devido à falta de descrições originais, a alterações posteriores nos métodos de preparo e a erros nas monografias da farmacopéia. E se homeopatas de países ou continentes diferentes receitarem o mesmo medicamento, eles não poderão ter certeza de que os pacientes realmente tomarão o mesmo remédio, porque as monografias das farmacopéias de diferentes países às vezes são também diferentes.

Esse fato causa muitos problemas sérios para os médicos homeopatas no mundo todo, que estão receitando medicamentos homeopáticos de acordo com a matéria médica ou as rubricas dos repertórios. Porque se a preparação atual diferir da literatura original, o fabricante não poderá garantir que a eficácia de seus medicamentos esteja de acordo com os sintomas da matéria médica ou dos repertórios. Nesse caso não podemos mais confiar no princípio da semelhança. Não podemos julgar o curso terapêutico do tratamento homeopático. Não podemos verificar a literatura original por meio de experimentações modernas. Não deveríamos, em absoluto, acrescentar os resultados das experiências e relatos de casos atuais à matéria médica e aos repertórios existentes, para evitar uma mistura inseparável de sintomas de diferentes medicamentos, erradamente designados pelo mesmo nome. Isso seria o fim da homeopatia confiável.

Após uma breve introdução à historia dos medicamentos homeopáticos, de Hahnemann às farmacopéias homeopáticas atuais, essa situação poderá ser demonstrada pelos exemplos de Ambra, Anacardium, Bryonia, Causticum, Medusa, Limulus, Lyssinum e Petroleum.

 

História dos Medicamentos Homeopáticos

 

A Homeopatia compreende dois setores: a medicina homeopática (experimentação das drogas, matéria médica, repertórios, terapia) e a farmácia homeopática (fabricação dos medicamentos). Os dois setores originam-se da mesma fonte: a obra de Samuel Hahnemann.

Hahnemann descobriu e desenvolveu as regras básicas para os dois campos; como doutor em medicina, químico e farmacêutico, fundou os princípios da medicina homeopática e da farmácia homeopática. Ele conhecia a matéria prima adequada para preparar os medicamentos e definiu os métodos para obter as potências homeopáticas. A partir desses medicamentos, ele começou a construir a matéria médica homeopática. Seus sintomas da Matéria Médica Pura e das Doenças Crônicas encontram-se na literatura de matéria médica e repertórios até hoje.

Os homeopatas que vieram depois também conheciam a matéria prima de seus medicamentos e acrescentaram os novos sintomas desses medicamentos à matéria médica.

Mas desde 1872, ocorreu uma significativa mudança. Em 1872, o fabricante alemão Wilmar Schwabe publicou sua "Pharmacopoeia Homoeopathica Polyglottica". Esse livro, com as edições que se seguiram em 1934 e 1958, tornou-se o precursor da Farmacopéia Homeopática Alemã (HAB). As descrições da primeira farmacopéia de Schwabe, de modo geral, estavam de acordo com a matéria médica original. Mas algumas descrições das edições posteriores foram mudadas: isso marca o começo de duas linhas distintas na homeopatia:

 

  1. A medicina homeopática até hoje é baseada numa MATÉRIA MÉDICA ORIGINAL.
  2. A farmácia homeopática é baseada na MATÉRIA MÉDICA ORIGINAL E EM ALTERAÇÕES POSTERIORES.

 

Alguns dos desenvolvimentos posteriores são necessários por razões legais ou analíticas, para assegurar a qualidade dos medicamentos. Mas algumas das alterações que ocorreram levaram a uma mudança total ou parcial nas prescrições de fabricações originais. Essas alterações NÃO ESTÃO DE ACORDO COM A MATÉRIA MÉDICA ORIGINAL.

 

 

Os sintomas vêm da substância

 

A base da homeopatia é o princípio da semelhança. O princípio da semelhança é baseado na capacidade (potência, em Latim "potentia") do medicamento de causar sintomas específicos nos seres humanos. Como esses sintomas são específicos da substância, eles dependem das propriedades específicas das SUBSTÂNCIAS EM ESTADO BRUTO, com as quais as potências são preparadas.

Portanto, podemos presumir que os sintomas característicos de cada medicamento vêm principalmente das propriedades físicas, químicas, biológicas e patológicas das substâncias utilizadas no seu preparo. E como muitas dessas substâncias não são utilizadas em seu estado original, o procedimento preliminar do preparo (solução, tintura-mãe, trituração) também pode afetar a eficácia do medicamento. Em segundo lugar, a eficácia homeopática é influenciada pelo método da potencialização e da apresentação, que modificam as propriedades dinâmicas (rapidez, duração e profundidade da ação homeopática) do medicamento final.

Os SINTOMAS dos medicamentos estão expostos na MATÉRIA MÉDICA e nos REPERTÓRIOS. Eles constituem a base para que a homeopatia possa escolher o medicamento de acordo com os sintomas dos pacientes. O médico homeopata precisa confiar na matéria médica, nas rubricas dos repertórios e no medicamento prescrito. Portanto, o medicamento deve estar rigorosamente de acordo com a MATÉRIA MÉDICA ORIGINAL.

 

Resumo

 

  1. A homeopatia é baseada no PRINCÍPIO DA SEMELHANÇA.
  2. O princípio da semelhança é baseado no poder das substâncias medicinais de causar sintomas específicos nos seres humanos.
  3. Esses sintomas estão expostos na MATÉRIA MÉDICA e nos REPERTÓRIOS.
  4. Os sintomas provêm das substâncias em estado bruto e dos PROCEDIMENTOS PRELIMINARES DE PREPARAÇÃO.
  5. As substâncias em estado bruto e os procedimentos preliminares de preparação estão definidos pela MATÉRIA MÉDICA ORIGINAL.
  6. Em conseqüência, a DEFINIÇÃO, a PADRONIZAÇÃO e o CONTROLE DE QUALIDADE dos medicamentos homeopáticos devem estar de acordo com a matéria médica original.
  7. As MONOGRAFIAS DA FARMACOPÉIA, portanto, devem estar de acordo com a MATÉRIA MÉDICA ORIGINAL.

 

 

Alterações nas monografias da farmacopéia

Como mencionamos anteriormente, algumas monografias da farmacopéia têm sido alteradas. Nesses casos, não podemos ter certeza de que os produtos fabricados hoje tenham a mesma eficácia específica que os medicamentos de nossa literatura original, por exemplo, não podemos ter a certeza de que a Ambra, o Anacardium, a Bryonia, o Causticum, a Medusa, o Limulus, o Lyssinum e o Petroleum correspondam de fato a todos os sintomas da matéria médica e dos repertórios.

 

Ambra grisea – trituração ou ebulição?

 

Hahnemann triturava a Ambra, porque ela é apenas levemente solúvel em álcool etílico. Mas a FARMACOPÉIA HOMEOPÁTICA ALEMÃ indica "aquecer 10 partes da substância moída e 100 partes de etanol absoluto durante 1 hora, sob refluxo."!

 

 

 Anacardium orientale – suco resinoso de Fava de Malaca ou o fruto inteiro?

De acordo com S. Hahnemann e J. H. Clarke, W. Schwabe prescreveu de 1872 a 1898 a SUCO RESINOSO (uma pequena parte do fruto completo) como matéria prima do Anacardium, como a Farmacopéia Homeopática Indiana (HPI) e a Americana (HPUS 1964). Depois Schwabe, em 1901, a HAB (FARMACOPÉIA HOMEOPÁTICA ALEMÃ) e a HPUS (FARMACOPÉIA HOMEOPÁTICA AMERICANA), em 1992, optaram pelo FRUTO, que é quimicamente diferente do SUCO RESINOSO utilizado originalmente.

 

Bryonia alba ou Bryonia cretica(dioica)?

 

De acordo com S. Hahnemann, C. E. Gruner, J. Büchner, E. Altschul e F. Hartmann, W. Schwabe 1872-1893 definiu a BRYONIA ALBA, de frutinhas pretas como a matéria prima da Bryonia. Mas em 1901 Schwabe declarou que a BRYONIA DIOICA era igual à Bryonia alba, sem apresentar uma justificativa. A partir de então a Farmacopéia Homeopática Alemã (HAB) hoje em dia define exclusivamente (!) a BRYONIA CRETICA (DIOICA), de frutinhas vermelhas, como "Bryonia".

 

Causticum

S. Hahnemann descreveu com exatidão as propriedades do seu Causticum, que mostram claramente que ele havia obtido uma determinada substância (!). Mas, exceto pela prescrição da Farmacopéia Homeopática Indiana, todas as outras monografias de farmacopéia (Schwabe, Farmacopéia Homeopática Americana, Farmacopéia Homeopática Britânica), levam a produtos que consistem principalmente de água destilada e não apresentam as propriedades substanciais do Causticum de Hahnemann.

 

Medusa – Aurelia aurita ou Physalia pelagica?

As farmacopéias mencionam substâncias diferentes para o mesmo medicamento. W. Schwabe, Keller-Greiner-Stockebrand e os índices de Radar e Synthesis definem a Aurelia aurita, mas a Farmacopéia Homeopática Americana menciona a Physalia physalis (P. pelagica). Os dois animais são biológica e toxicologicamente extremamente diferentes.

 

 

Limulus cyclops – só o sangue ou o animal todo?

C. Hering utilizou o sangue seco do límulo para experimentação e terapia; a Farmacopéia Homeopática Americana prescreve a tintura feita com o ANIMAL INTEIRO!

 

Lyssinum – saliva ou vacina?

De acordo com a literatura original, A Farmacopéia Homeopática Americana e Keller-Greiner-Stockebrand mencionam a saliva de um cão hidrófobo. Mas o fabricante austríaco G. Peithner disse estritamente que o Lyssinum deve ser preparado com a vacina.

 

Petroleum crudum ou Petroleum rectificatum?

De acordo com S. Hahnemann e T. F. Allen, W. schwabe prescreveu o petróleo cru. Agora a Farmacopéia Homeopática Alemã define o petróleo REFINADO, que é totalmente diferente do petróleo cru, tanto química quanto fisicamente.

Nesses e em outros casos, não podemos ter certeza se os sintomas dos medicamentos produzidos hoje em dia estão de acordo com todos os sintomas de nossa matéria médica e dos repertórios. Por essa razão, a prescrição individual com base no princípio da semelhança não pode ser totalmente garantida. Novas experimentações não podem ser usadas para verificar a literatura original. Portanto todas as monografias de farmacopéias devem ser verificadas e comparadas com a MATÉRIA MÉDICA ORIGINAL.

 

Esse trabalho foi iniciado no Instituto Homeopático Ludwig Boltzmann, em Graz.

 

Feldkirchen, março de 1998

Friedrich Dellmour

 

Trabalho Extraído dos Anais do 53º Congresso da Liga Médica Homeopática Internacional – Amsterdam

 

 

Traduzido por Maria Celina Deiró Hahn

TEL/FAX: 274-2718

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construída e administrada por Maria Thereza Cera Galvão do Amaral
Criada em 1999. Revisado: março, 2013.

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