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Repertórios

Dr. Elias Carlos Zoby

 

( para saber mais sobre repertórios, visite o site http://concordancia.webs.com/cient.html)

Repertório Homeopático é o índice para a matéria médica, é [idealmente] a compilação de todos os sintomas produzidos e observados e os respectivos medicamentos responsáveis pelo seu surgimento e ou cura.

Como e para quê foi inventado?
Bem... os repertórios nasceram da necessidade sentida pelos primeiros homeopatas de acessar rapidamente os sintomas para comparar medicamentos que pudessem adequar-se ao paciente que estivesse sendo examinado.
Eles tinham relativamente poucos medicamentos estudados, se compararmos com o número atual. Mas tinham a ENORME vantagem de terem experimentado boa parte deles, desse modo, conheciam os sintomas por senti-los na própria carne e não por ouvir dizer.
Mesmo assim já era muita coisa compilada e a memória não suportava tanto, precisavam de um lembrete.

O primeiro repertório a ser usado em larga escala foi o Therapeutisches Taschenbuch [1846] de Clemens Maria Franz [Barão von Boenninghausen, nascido na Holanda em 12-3-1785 e falecido a 26-01-1864 na Alemanha], mais conhecido como Therapeutic Pocket Book, mas antes dele já haviam sido lançados o dos Anti-psóricos [1832-3?], dos Não Anti-psóricos [1835?], o de Jahr [1835], Hahnemann tinha um manuscrito próprio [1817] etc.
Mas o que foi realmente utilizado por gerações de homeopatas foi o Pocket Book, ainda hoje é usado. É um livro pequeno, onde estão colocadas as rubricas referentes ao local do sintoma, a sensação e queixa, e as modalidades de agravação e melhoria que servem para todas as partes e sintomas, há capítulos especiais para sono/sonhos, febre/calafrio/suor/circulação e relacionamento dos medicamentos. Cada um dos ítens num capítulo separado, ou seja você encontra dor de cabeça num capítulo e agravação dela pelo calor em outro, sendo que esta mesma rubrica de agravação pelo calor serve para qualquer outro sintoma com essa modalidade.
Simplíssimo de usar e, descontando a falta dos medicamentos e experimentações posteriores, eficientíssimo.
O método é perfeito, desde que o usuário conheça a matéria médica e as patogenesias como eles conheciam, porque o fato do indivíduo ter sua dor de cabeça com determinada modalidade não implica em que outros sintomas sofram a mesma modificação.
Este foi o ponto fraco que levou James Tyler Kent a construir outro repertório, com filosofia totalmente diferente, onde as modalidades fossem dadas em cada sintoma, separadas daquelas que fossem de todo o indivíduo ou de vários sintomas.

Os registros não dizem, mas não parece simples coincidência o fato do repertório de Kent ter surgido justamente quando o hábito de fazer experimentações estava diminuindo. O de Kent é muito mais preciso, mais detalhado, não é melhor simplesmente porque tem mais rubricas e remédios, ou porque os sintomas mentais estão bem feitos e este é um dos poucos pontos ruins do de Boenninghausen. É melhor porque foi feito para que nós dependessemos menos da matéria médica.
Com o de Boeninghausen o homeopata tem que estudar matéria médica até encontrar um medicamento cujos sintomas se assemelhem aos do paciente em questão, caso contrário as chances de acerto são mínimas. Quando o “Velho Barão” lia uma rubrica ele lembrava de qual sintoma tinha levado cada medicamento até ali, e se não lembrasse ele ia às patogenesias.

E nós, como ficamos? Temos o repertório de Kent atualizado a cada dia [a 1ª tradução para o português foi a de Ariovaldo Ribeiro Filho], até mesmo com certa febre de agregar, mesmo apoiando-se em sintomas no mínimo discutíveis. Mas é a era da informática, na qual tudo flui na velocidade de um Pentium, as rubricas têm que ser atualizadas, medicamentos, linguagem, parturition não serve mais, agora é delivery, inquisitive transformou-se em curious...
E eu sinto uma baita saudade do tempo em que se consultava as patogenesias antes de prescrever, do tempo em que os médicos consultavam o medicamento após escutar o paciente. Hoje, com essa pressa, tem “homeopata” que não tem paciência nem de ouvir o cliente, quanto mais consultar medicamento... coisa de doido!

Há diversos tipos de rep.:
regionais [Diarréia por J. B. Bell], gerais [Boericke], de sintomas [Boenninghausen, Kent], clínicos [Clarke], de concordância [Gentry, Zoby], “artísticos” [Boger e Phatak], de modalidades [Worcester] etc.
Cada um deles com sua própria maneira de construção e significado. As rubricas de um não podem ser diretamente transplantadas para outro porque cada um deu um sentido e conteúdo à rubrica, é necessário que o leitor entenda o que ‘aquele’ autor quis dizer com ‘aquela’ rubrica, muitas vezes ocorrem rubricas com a mesma palavra mas em cada repertório com um sentido diferente.
Para resolver esse problema o único caminho é o estudo da matéria médica homeopática.

Em tempo, para quem não é do ramo: rubrica é a palavra[s] usada no repertório para agregar sintomas [de diversos medicamentos] com algum conteúdo em comum; sintoma é a expressão do desequilíbrio da energia vital observada pelo médico ou dita pelo experimentador ou paciente ou cliente.

Mas como seria o repertório ideal?
O “meu” repertório... ele teria todos os medicamentos que tivessem aquele sintoma, nem precisaria ter pontuação, não peço tanto. Ao lado de cada medicamento o indicativo de qual a fonte para inclui-lo na rubrica e o número do sintoma [como o de Hughes], ao dar um duplo “click” ali haveria um “link” imediato para aqueles sintomas [e eu riria de Nash que teve que procurar na matéria médica, partindo do A, pelo sintoma de enjôo por cheiro de comida de Colchicum].
Se o sintoma fosse uma lesão também haveria um “link” para a imagem, se fosse uma ação o “link” seria para uma filmagem dela. Sim, meu repertório seria informatizado, claro. Mas usaria os recursos de hoje para agregar informações que o Pocket Book não suportava e não apenas para agregar medicamentos e velocidade.

Atualmente diversos pesquisadores trabalham na construção de algo assim, partindo dos repertórios kentianos. Temos o trabalho temático de José A. Mirilli [RJ], de concordânia [Elias C. Zoby, pernambucano radicado em Santos-SP] e o de Aldo F. Dias [RJ], todos na mesma área: ligação do repertório com a matéria médica.

Dentro de alguns anos vocês verão o nosso repertório, de todos aqueles que julgam que as patogenesias ainda são o fiel da balança. E poderemos todos achar graça de Nash.


Elias Carlos Zoby
Homeopata Veterinário
zoby@click21.com.br


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