Portal de Homeopatia

 

 

  semiologia homeopática  

 

    Talvez o problema mais difícil da Homeopatia seja a retratação do caso. Quando um caso é bem retratado, o trabalho posterior é muito reduzido; mas sem que o caso esteja bem retratado, ninguém pode receitar corretamente.

     E o que se chama de retratação do caso é, não só a tomada de sintomas na consulta, como, principalmente para veterinários, a observação de seu paciente (um importante lembrete é que, na ficha, deve ser possível diferenciar o que o(s) proprietário(s) fala sobre o animal e as observações do veterinário que o consulta).

Então :

- os diagnósticos devem ser feitos.

não é possível se tratar um caso sem saber o que acontece, quais possíveis órgãos afetados e a gravidade disso; se é adquirido ou congênito, etc

- o exame físico deve ser feito

um bom exame físico dá subsídios para os diagnósticos e para a coleta dos sintomas e doenças por causas físicas devem ser descartadas (uma fratura pode ter de ser reduzida cirurgicamente) .

- casos mecânicos, de cirurgia, deve ser encaminhados a cirurgia,

a Homeopatia de forma alguma dispensa os avanços da ciência, só talvez os use de uma maneira mais criteriosa.

-  regras :

  • - anotar tudo, precisamente com as palavras empregadas, no nosso caso, pelo proprietário, e de outras pessoas que convivam com o animal, registrando logo no princípio a sua principal queixa ou sofrimento (podemos anotar nossas impressões na ficha, de modo destacado das do proprietário),

 

  • - não tentar traduzir o que o proprietário nos disse e o que observamos em termos médicos atuais, o que tornaria o trabalho de comparação mais difícil. A Homeopatia foi toda escrita na linguagem simples que exprime exatamente o que foi sentido pelos experimentadores. Se os experimentos e a Matéria Médica tivessem sido registrados na linguagem científica do tempo de Hahnemann, a Homeopatia teria morrido depressa ou precisaria sempre ser reescrita de tempos em tempos. Fora isso fica mais difícil para transformar em linguagem repertorial.
    Há de se ter o cuidado de não registrar a opinião do proprietário sobre o que acontece e sim o que acontece . 1

 

  • - Não se deve fazer perguntas cuja resposta sejam sim ou não, porque pode-se induzir uma resposta e perde-se facilmente as nuances da resposta longa, seus detalhes.

 

  • - Nunca se deve fazer sugestões de respostas. "Seu cão gosta de alimentos quentes, frios ou mornos?" mas sim "Seu cão gosta de comida a que temperatura?- isso também para evitar indução de respostas.

 

  • - Deve-se sempre observar o temperamento do doente - e no nosso caso, também o do proprietário. Há os animais mais manhosos, os mais resistentes a dores, os tímidos, assim como, entre os proprietários de uma raça de guarda, por exemplo, dificilmente será admitido que seu cão é covarde. Nossa impressão do animal não pode ser muito diferente do que o proprietário fala.

 

  • - Também é necessário se qualificar a queixa com todas suas nuances. Uma dor : a que horas se observa piora, melhora, de que lado, e com variações de tempo, como piora, como melhora, etc.

 

  • - qualquer coisa de rara, estranha, peculiar sempre será interessante e de valor. O que diferencia um ser de outro sempre deve ser valorizado.

 

  • - será muito interessante se se conseguir observar e conseguir relatos do comportamento normal do animal, sua alterações depois de doente, seus hábitos, etc. Se bem caracterizados, são também bons sintomas e bons guias de melhora ou piora do animal.

 

  • - principalmente no caso dos veterinários, é muito interessante as observações do próprio profissional acerca do paciente, mas sempre anotadas de maneira a se saber o que são, para não se confundir com o relato do proprietário.

 

  • - depois de tudo isso, deve se verificar se se tem apenas um "amontoado" de sintomas, ou algo que caracterize uma totalidade de sintomas característicos do doente. Não é fácil essa avaliação e realmente se adquire com a prática. Ou seja, se os sintomas anotados não servirem para se ter um quadro caracterizando a doença desse doente, a escolha do medicamento se faz mais difícil. Sintomas característicos e bem modalizados também ajudam muito.

 

  • - dificilmente se tem um quadro significativo na primeira consulta. Isso também significa que é comum se mudar o medicamento após duas ou três consultas.
    De qualquer forma, é muito importante se anotar os sintomas que aparecem depois da medicação, verificar se são sintomas antigos retornando, se são novos, se há uma exacerbação dos sintomas antigos, se o animal aparenta estar se sentido melhor ou não, etc. Isso porque, mesmo que não se acerte de cara o medicamento correto, os sintomas que aparecem sempre são do paciente (ele só tem os sintomas que pode, não os que quer) e ajudam a encontrar o medicamento correto.

 

  • - também ter  cuidado com o pré-conceito, inclusive com relação a raças, temperamentos, etc,etc...que idéias pré concebidas sobre o paciente atrapalham demais a consulta. Inclusive deve-se ter em mente que características de raça geralmente não caracterizam o indivíduo, embora possam ajudar quando sintomas mais individualizantes estão difíceis de serem tirados em uma primeira consulta.

 

  • Deve-se ter cuidado para não antropomorfizar os sintomas, pois essa é a tendência do proprietário.

 

  • tem que se saber características da espécie e da raça que se está tratando, sua dinâmica social, para poder valorizar os sintomas corretamente e para definir o que se espera (e se pode) equilibrar, principalmente em distúrbios de (e decorrente de) comportamentos alterados.

 

1- anotações pessoais da autora sobre palestra proferida pelo Dr. Juan Gómez no Congresso Brasileiro de Homeopatia, 1998, em Gramado, RS.

 


 


vet_e_cao_3.gif (3083 bytes)

construída e administrada por Maria Thereza Cera Galvão do Amaral
Criada em 1999. Revisado: dezembro, 2017.

Licença Creative Commons
Portal de Homeopatia de maria thereza do amaral está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.

Podem estar disponíveis autorizações adicionais às concedidas no âmbito desta licença
em http://www.mthamaral.com.br.